quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Farta de semideuses

Ontem vi uma peça (Doido - espetáculo solo de Elias Andreato). E como ocorre sempre que presenciamos uma boa expressão artística, fiquei com algumas frases e reflexões na cabeça. A mais importante, neste caso, é a ideia de estar farta de semideuses. Farta de heróis, super homens, super mulheres. Gente de atitudes nobres. Gente capaz, no máximo, de assumir pequenos pecadinhos...
Onde está aquela gente realmente gente, pulsante, capaz de assumir atitudes vis? Aquela gente que cospe, que urra, que sente inveja, ciúmes e assume dores e angústias? Essa humanidade crua, sem maquiagens, tem me feito falta.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Amizades reescritas

A Mezzine não virá. Novamente isso. Penso por que nesta caminhada conhecemos pessoas que nos interessam e que nos fazem bem se não podemos conviver com elas? Talvez elas sejam somente uma passagem pra gente mesmo. Uma razão para pensarmos na vida de modo diferente. Às vezes até com o olhar do outro, por que não?
São poucas ainda as pessoas em quem eu confio e de quem sinto saudades reais. Sem forçar a barra, entende? Dá para contar nos dedos da mão direita. Essa que me dá firmeza. E a confiança, na verdade, não é inteira. Não é com muita fé. Confio até a página dez. Depois, o pé já fica atrás. Afinal, todas elas (até elas) um dia já me decepcionaram. Normal, não é? São gente. Estão à mercê dos sentimentos mesquinhos, das ações egoístas, das tentações mundanas. Eis meus amigos: pessoas inteiras, frágeis, malucas.

Tem a professora de história. Aparência frágil, olhos marejados, pele sardenta e punk na cabeça. Essa é amiga de infância. Pessoa com quem dividi as maiores crises existenciais. E com quem tenho prazer - ainda hoje, em tempos de twitter e MSN - em trocar cartas via correio, com carimbo e selo!

Tem a filósofa que está gerente de loja. Com ela dividi momentos importantes. Mudanças de casa, separações e alguma solidão. E dividi mais: ideias, ideais e muita reflexão. Foi ela que me ensinou a fazer suco de couve com limão. Delícia! E é dela a frase “o amor que era só é amor porque era”.

Tem a empresária. Pessoa íntegra. Virginiana típica: organizada, honesta, repleta de princípios. Trabalhar ao lado dela foi um aprendizado diário e prazeroso. Mas não é só isso. Com ela, à tardinha, no fim do expediente, eu conversava sobre tudo e com muita tranquilidade, afinal desde sempre ela foi uma grande amiga. Nossa mente bate, entende? A gente se entende. Além do mais, ela é dessas mulheres independentes, livres e bem resolvidas. Dessas de se parar para admirar.

Tem o jornalista. Ele não é diplomado. Sua ética vem de berço. Sua postura jornalística vem da experiência. E seu texto é adorável. Seus olhos são doces. É um amigo pisciano. Somos do mesmo elemento água. Isso talvez ajude em nossa identificação. Com ele foi quase amor à primeira vista. Nossa convivência constante foi por longos sete meses. E a amizade extrapolou a redação. É amigo para uma boa mesa de bar, um suco aos domingos pela manhã, um almoço “no mato” e uma boa caminhada. De MSN e de vizinhança. É amigo e ponto.

Tem o capoeirista. Dele já falei em outras ocasiões. Por ele já senti um amor platônico. Com ele a amizade começou no olhar. Olhar penetrante. Coisa de alma. Dividimos leitura, passeios vespertinos, músicas surreais... Dividimos angústias existenciais, falamos horas ao telefone e fomos cúmplices. E apesar da distância, ele está sempre do lado de cá do meu coração.

Puxa, pensando agora, passam da mão direita os amigos que me inspiram uma descrição. Jornalistas, por exemplo, tem mais uns quatro de quem poderia falar. A jornalista sócia, a jornalista cantora, o jornalista enfezado, o super jornalista, o mala jornalista pai do João. Tem a amiga que criou uma nova ocupação: secretária personalizada. Já esteve comigo até em velório. É uma super amiga. E uma super mulher. Poderosa!

Tem o amigo amor da minha vida. Esse conheci ainda na adolescência. É o cara. Gentil, honesto, envolvente. De sorriso limpo, mãos firmes, passos aventureiros. Com ele vivi parte da minha vida. E é dele que ainda recebo SMS que me emocionam. Ele jura que se ganhar na mega-sena dividirá a grana comigo. Quero crer que ele será amigo até nesta hora!

Tenho amigos que duraram um mês. Mas deixaram marcas. Tem amigos com quem dividi só uma carona. Outros com quem trabalho há anos. Tem amigos com quem já dividi sonhos, outros com quem estudei e realizei projetos. Tem os amigos de identificação literária, musical, gastronômica... Há os amigos de Orkut, outros de facebook... E tem os seguidores do twitter... Mas quem fica, quem sobra, para um chá numa quarta chuvosa são aqueles que conto nos dedos das mãos – não só da direita, como constatei ao longo deste texto, mas também da esquerda cheia de sede criativa.
E, no final, o que vale mesmo é poder lembrar de todos eles, fazer um balanço do que vivemos e constatar que somos felizes.

Constatação boba

Os homens que me desculpem, mas estou cada vez mais convencida do seguinte:
- homens de 23 a 27 anos se assustam com mulheres independentes, livres e bem resolvidas, apesar de ficarem envolvidos e até apaixonados por elas.
- homens de 28 a 39 preferem mulheres românticas, pegajosas e aparentemente mais dependentes para se sentirem mais viris e poderosos.
- homens acima de 40 anos preferem moçoilas de 18 a 23 para se auto-afirmarem. Ou já se divorciaram e trocaram de lado. Muitos deles têm assumido o lado rosa da força. (nada contra, mas o mercado para nós hetero está ficando difícil)

É apenas uma constatação. Quem concordar, deixe comentários.