quarta-feira, 31 de março de 2010

Sei que me afastei dos teclados do meu coração. Não escrevo mais o que penso ou sinto. Apenas o que preciso escrever. Letras de escritório. Palavras que saem de forma automática, sem prestígio para mim. Talvez esteja anestesiada. Talvez seja apenas modo de sobrevivência. Ótima semana santa!

terça-feira, 23 de março de 2010

Sede de bola


foto: http://futebolnegocio.files.wordpress.com

Estamos a exatos 80 dias da Copa do Mundo na África do Sul. E esse assunto fervilha nos principais noticiários... Quatro anos atrás, os amigos diziam que eu escapei de uma baita encrenca... Na verdade, falavam sobre eu ter me livrado de escrever sobre a Copa numa coluna especial para mulheres no jornal onde trabalhei... Caí fora antes...
Por incrível que pareça para aqueles que me conhecem um pouquinho, daquela vez eu quis comentar o assunto... E já que estamos novamente num ano de Copa, aproveito para me explicar:
Futebol nunca foi o meu forte (na verdade, esportes em geral!). Aliás, na primeira vez em que fui convocada para cobrir um jogo quase tive um colapso. Precisei humildemente explicar ao editor que eu tenho pavor de tumulto - pânico mesmo! -, especialmente aquele que envolve torcidas eufóricas, à beira de um ataque de nervos. Naquela ocasião era Norusca e Corinthians. Imagine! Tem outra coisa que me condena em relação a gostar ou não de futebol: meu TCC (Trabalho de Conclusão de Curso – e lá se foram 11 anos!) retratou a participação do Brasil em quatro décadas de Copa do Mundo num documentário radiofônico com quatro programas de uma hora de duração... Pode? Não me peçam explicações, por favor.
Mas eu confesso que, apesar de não lembrar de nenhuma escalação famosa e de ter essas neuras com tumulto de torcedores, de quatro em quatro anos eu me rendo ao mundo "verde e amarelo".
Num país em que há carência de tudo, inclusive de consciência política, são partidas de futebol que, como num passe mágico, transformam a nação numa coisa só. Unidos, os brasileiros têm é sede de bola! As mazelas todas, a falta de grana, o desconforto emocional, a angústia por dias melhores... Tudo é guardado no fundo do baú da alma brasileira. E uma alegria pulsante toma conta de todos. Como se no momento dos jogos a gente se transformasse num país de verdade, com P maiúsculo. Pronto e respeitado por algo, enfim.
E se essa competição mundial eleva tanto a auto-estima do nosso povo não serei eu o espírito de porco que vai criticar o comportamento alheio. Se essa é a hora, vamos soltar os bichos e torcer por muitos gols. Quem sabe uma hora dessas a gente se anima a marcar o nosso!

domingo, 21 de março de 2010


Estou de luto, mas deixo aqui uma flor com a ideia de que continuarei cultivando meu jardim.

domingo, 7 de março de 2010

Saudades de um amor...

Tantas foram as ocasiões em que escrevi sobre o amor… E nunca, de fato, consegui descrevê-lo objetivamente. Tenho apenas constatações. O amor nos trai. Ele nos arrasta feito folhas no chão... E nos torna bobos. Reféns, até. O amor pede engano. Embriaga. E mexe com nossos nervos. Ele nos tira o sono. Desloca o nosso eixo. E é sempre inesperado. Está onde nem imaginamos. E nos falta quando mais o queremos presente. Se acompanhado de expectativas (e quase sempre o é), ele é capaz de nos confundir... e parecer o que não é. Ele pode enganar nossos sentidos e agir, inicialmente, de forma fria... Puro disfarce.
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Não sei exatamente o que sinto hoje. Há dois meses, um beijo me fez pensar a semana toda numa única pessoa. No segundo encontro, o beijo não foi o mesmo... Foi afoito. Foi pura atração. Mas não sei se foi só isso... Talvez a expectativa tenha embriagado os meus sentidos. O que penso ter sentido foi ainda mais especial do que o que aconteceu conosco naquela noite. E lá se foram dois meses...
Doce. Azedo. Maluco. Autêntico. Teimoso. Maduro. Infantil. Tudo isso numa só pessoa. Ao seu lado me senti uma menina pronta para dobrar a próxima esquina e embarcar em viagens nunca vividas, desprezando toda a experiência que já acumulei. Não lhe parece absurdo? Mas foi o que senti. Não achei justo o contrário... Arrastá-lo para a minha vida já tão acertada, já cheia de respostas, não seria prudente. Ninguém deve ser poupado da vida. Muito menos um garoto tão cheio de fantasias... De conjecturas.
Mas como é fácil imaginar, uma história assim não pode durar muito. Eu queria entrega. Ele se sentiu inseguro. Eu queria a loucura de sua juventude. Ele temeu minha experiência. Eu queria viver aquilo. Ele achou que “foi forte demais” e recuou. Um retrato de nossas diferenças.
Mas a pergunta é: quem disse que isso tem a ver com amor? Penso ter vivido apenas um prenúncio de paixão. O desejo de estar apaixonada por alguém levou-me a atitudes impulsivas e até exageradas... Mas nem me apaixonei muito menos senti amor por este belo rapaz. Senti foi desejo de viver um desses dois sentimentos que nos tiram do chão, que nos trazem angústia e conforto no mesmo dia... Sentimentos que nos põe vivos e nos enchem de alegria latente. Foi só isso. Ao menos dessa vez. Nem paixão, nem amor. Peninha!