quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Eu escrevo cartas...

Às vezes, sabe, eu escrevo cartas. E em muitas ocasiões essas mensagens não são destinadas a pessoas que eu conheço. Mas, como dizem, tento tirar das profundezas de minha alma uma expressão, uma palavra, um ponto que seja capaz de tocar o coração de quem lê. E consigo convencer o destinatário de que sou o remetente que ele pensa. Não se trata de falsificação. Seria incapaz disso. Mas é que de vez em quando sou convidada a falar na voz de alguém. As pessoas alegam que não conseguem se expressar. “Passar o que sentem”. Então, apelam para mim. E eu faço esse trabalho com dedicação e carinho. Escrevo cartas, discursos, bilhetes mais íntimos, cartões de presente, de aniversário, de condolências... Também me sobram temas bem específicos para artigos e editoriais. É divertido até. De fato quando releio alguma dessas escritas não me identifico. Não parece mesmo algo escrito por mim.

Confesso, porém, que fica em mim uma pequenina contrariedade. Algo que incomoda um pouco... É que sei bem dar voz aos outros. Mas quando é comigo parece haver uma incompatibilidade qualquer que desvia a atenção de meus destinatários reais. É como se as palavras minhas, minhas mesmo, vindas dessa confusão complexa que sou eu, não fossem capaz de tocar meu interlocutor. Por mais que eu me esforce, parece que não sei me fazer entender. Ou que não sou levada a sério.

Já ouvi de pessoas queridas que sou formal em meus textos. Será? Eu discordo... As pessoas estranham o fato de eu escrever frases inteiras. Estranham quando tento em palavras expressar um não-sei-quê e uso verbos, pronomes, adjetivos substantivados e pontos finais. Querem o quê? Que eu diga “own e aeee? Vamo saiii?”. Desculpe. Não consigo. Nunca fui violenta. Por que, então, espancaria tanto a nossa língua? Não, não. Tenho dificuldades até em agredir uma formiga. Sou incapaz. Valeu?

Com isso, não quero que pensem, por exemplo, que sou desses puristas. Radicais. Não sou. Defendo os regionalismos. E adooooro MSN e sua linguagem peculiar. Só acho que isso tem limites. As pessoas precisam se provar. Precisam mergulhar mais nos textos, nas fórmulas, nas técnicas. É preciso dizer de forma diferente todo o igual que corta nossos dias. Isso é bom. Isso nos faz crescer. Isso nos dá asas!

De qualquer modo, fica um sentimento de incapacidade. Um choro de jiló.

(momento “pronto, falei!”)

Um beijo e até a próxima!

P.S. Quem gostou do novo visual do Blog, por favor, comente.

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