segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Hoje fui chamada a escrever. Mas não tenho certeza. Não tenho certeza se hoje minha não escrita é um ato de covardia ou de coragem. Não sei se o que não quero é expressar minhas certezas ou se, ao contrário, é demonstrar minhas dúvidas.

Talvez só não queira dividir com você a decepção de não encontrar mais as pessoas inteiras que acreditava habitar as pessoas de alguns amigos.
Talvez só ache que você não merece se desiludir assim, por aqui. Você mesmo terá de viver isso para saber do que estou falando. E viverá tão a seu modo, que talvez jamais entenda. Por isso mesmo é que me calei. Falar para quê?

O silêncio das palavras toca um agudo em mim. Eu quero dizer, mas não estou mesmo certa disso. Então vou dizendo assim, em conta-gotas.
Talvez seja só covardia. Mas, às vezes penso que é coragem. Coragem de assumir um silêncio meu. De dizer: veja, eu não tenho certeza. Por isso nem vou dizer nada. Afinal, todas as vezes que pensei ter certeza, alguém me apontou outro caminho. Alguém me surpreendeu. E não reclamo disso não, viu. Adoro ser surpreendida. É disso que tenho vivido.

Volto mais tarde...

quarta-feira, 12 de novembro de 2008



Soa o badalo. É a vida. É ela avisando que quer pulsar.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Rever amigos

Hoje revi um amigo de doces olhos negros. Foi bom. É bom rever pessoas que superam distâncias e diferenças e se mantêm, firmes, aqui, do lado de dentro da gente! Ótima semana!

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Noites claras
Manhãs sombrias
Tardes amarelecidas...

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Ao léu

Volto, depois de alguns meses, à prática de compartilhar com você situações cotidianas.
De certa forma, no tempo em que não postei textos no blog foi como se estivesse à toa, sem ter feito nada. Claro que isso não é verdade. Mas quando não registramos, os dias quase passam em branco. Tenho um amigo que marca tudo na agenda. Cada passo. Cada ação no trabalho. Eu brinco com ele, dizendo que ou eu trabalho ou faço relatórios. Mas acho que ele está certo. Errada estou eu, que faço, faço e tudo passa despercebido. Ainda não cheguei a uma conclusão final. Mas me penitencio por isso e por tantas outras ausências. Minha desorganização é perigosa!
Hoje também posto alguns textos antigos, a pedidos de amigos.Espero poder contar com sua visita. A promessa é a de sempre, mas agora para valer: passarei por aqui todos os dias! Até!

Com que roupa ela virá?


Já tinha me esquecido do quanto o processo é desencadeado rápida e completamente. São sensações químicas logo reconhecidas pela mente e transformadas em sentimento incômodo. Uma crise de bobeira nos invade. Cometemos enganos. Ficamos destemperados. Quase nada nos preenche. O pensamento central é nítido: vontade de repetir o processo. Um cheiro profundo. Arrepios cintilantes. E um quase desmaio. Olhos cerrados e já era. Agora é a força do ímã. A doçura do toque. Um gosto quente de amor. Mais um estado de paixão. Mais do mesmo. Depois, ligações durante a madrugada. Horas de fuga para encontros inebriados... Convites fortuitos. Mensagens etílicas. E, finalmente, a dúvida fatal: quando ela virá? Com que roupa ela virá? Em que forma ela virá? A morte...

Sobre ser e estar


Indagam se estamos bem, como se fosse naturalmente fácil responder de prontidão. As vezes até é. Mas em geral precisamos olhar no ‘fundo do centro’ de nossa alma para entender o que está se passando naquele exato momento. As condições que envolvem humor e estado d’alma são extremamente subjetivas e variáveis. Da mesma maneira se comporta a moda. Basta um acessório a mais ou fora do lugar para a beleza se tornar brega. Basta uma ousadia acertada para que o brega seja chique. Não há regras muito definidas. Vale o bom senso. Por isso, ao ser questionada se fulano está bonito e elegante é difícil responder de pronto: está chiquérrimo ou está brega! Antes, é preciso analisar o visual. Entender o contexto... Observar os acessórios e, às vezes, até compreender a razão antropológica de fulano se vestir daquele modo e não de outro. Ainda mais considerando o turbilhão que se tornou o Brasil... É quase impossível categorizar quem foge dos padrões pré-estabelecidos... Hoje, a moda permite quase tudo, desde que a roupa fale de você, converse com você e te receba bem... Ou seja, se combinar com o seu jeito de ser e ver o mundo está tudo certo. Todas as cores estão liberadas, a mistura delas também. Listrado e bolinha pode. Xadrez e listrado também. Baixinhas podem usar longo, sim. Só não vale deixar a roupa aparecer mais do que você e sua personalidade. É proibido ficar calado dentro de uma roupa linda! É preciso usá-la como mais um modo de expressão. E se as roupas forem encaradas assim, com desprendimento, bom-humor e bom-senso, será cada vez mais difícil dizer o que, afinal, é brega. A não ser nos casos de fórceps!

Bálsamo de copaíba


Bastam alguns minutos de desencontro, algumas frases mal colocadas e palavras avessas para que o velho e conhecido abrigo se transforme num constrangedor quarto de aluguel. Frio, distante, previsível.Por que isso ocorre? Talvez seja simplesmente porque alimentamos a tal expectativa. Se, de verdade, não esperássemos nada tudo seria perfeito (ou quase). Mas, como nunca aprendemos a viver, eis que esperamos. A palavra certa. A frase que contagie nosso coração. A mão amiga. O olhar que invade, ruboriza e desconcerta. E o que recebemos? Mostras viciantes de alguém comum. Imagem cruel daquele que jamais nos acordaria no meio da noite para ler Alan Pauls. Alguém que vê beleza onde enxergamos apenas cordiais olhos castanhos.Solução? 1. Comer algodão doce numa tarde chuvosa, sentada num banquinho diante de pétalas rosadas que perfumam o jardim. E esperar que alguém nos chame no portão. 2. Ouvir, observar e ter a certeza de que aquele ser estranho e pouco articulado nos ama e isso deveria nos bastar.3. Entender que somos mesmo únicos e ninguém, ninguém mesmo, vai preencher totalmente nossas lacunas existenciais! Mas é possível viver momentos bárbaros ao lado dos seres comuns (como nós) que se aproximam por despretensiosa afinidade e são capazes de nos proporcionar prazeroso almoço embaixo de uma copaíba. E, às vezes, isso pode ser sinal de amor.

Leve?


Para variar, pensei em escrever algo leve. Algo que pudesse melhorar o seu humor hoje. Uma crônica do cotidiano... O problema é que meu cotidiano não tem sido tão leve assim. E para dizer a verdade já estou acostumada com essa vida hard! Mas você não tem nada a ver com isso, não é?Então, vamos, sim, falar de algo leve. Que tal as borboletas que têm enfeitado a blusa de muita moçoila por aí? Estampas enormes e psicodélicas invadem o guarda-roupa feminino e a maioria das mulheres cede ao modismo. Que horror! E onde é que fica a individualidade? A grande sacada das roupas não é justamente a possibilidade de falar um pouco sobre nós? Expressar nossas crenças, nossos conceitos, nosso estado de humor? Tudo bem que a borboleta simboliza transformação e, dizem, sorte. Mas precisa sair por aí borboleteando o mesmo modelito?Leveza IITem gente que diz fugir da dureza do cotidiano com um bom desenho animado. Ou uma comédia romântica. Ok. Sou favorável. Mas “pelamordedeus” precisa contar detalhes do filminho para o colega e martelar a velha frase “morri de rir”? Não adianta. Por mais que você queira dividir esse sentimento, ninguém vai “morrer de rir” só porque você resolveu reproduzir a historinha. Faz o seguinte: pega todo o sentimento bom que o desenho ou filme lhe transmitiu e guarda. Isso é seu! O eu profundoExistem milhões de novos autores com excelentes publicações. Das crônicas aos romances de época. E por incrível que pareça ainda tem uns e outros que ao serem indagados sobre o livro de cabeceira respondem em alto e bom tom: Fernando Pessoa! Incrível. Se todos que dizem conhecer o poeta português soubessem ao menos o nome de um de seus heterônimos, algo além da popular frase “Tudo vale a pena se a alma não é pequena”!, acredite, viver seria um pouco melhor. Para quem gosta de fazer essas gracinhas (citar quem não conhece), sugiro, ao menos, a leitura de O eu profundo e os outros eus (tem até no www.dominiopublico.gov.br). SonharConfesso que tenho me apegado aos sonhos. Não aos sonhos que me tomam acordada, em plena luz do dia. Mas aos que nos últimos dias têm me levado através, após longas noites de insônia. Ontem, por exemplo, sonhei com árvores frondosas, de folhagens perfumadas. Elas enfeitavam o quintal de minha casa. Era uma pequena chácara, na verdade. E alguns troncos compunham a decoração interna da casa – que não era amarela, mas branca. Confesso que tive medo de encontrar esse lugar de verdade, durante minhas andanças atrás de uma casa legal (para, de novo, me mudar). Um medo besta - desses que passam por minha cabeça com certa freqüência. Outro medo que me acometeu hoje, após uma sessãozinha saudosista de fotos, foi de sentir o que já senti pela mesma pessoa. Entende? Bom, motivada significativamente pela minha memória bondosa, que só se recorda do lado positivo das pessoas, tive um minuto de cegueira e pensei em quem já não merece meu pensar. Mas passou. Foi um minuto de bobeira. E os medos são mesmo assim, não é? Passageiros. Às vezes motivadores, é verdade. Mas particularmente costumo ter medo apenas daquilo que sei que irá me prejudicar, de um jeito ou de outro.

Dia conjugado


Olho ao meu redor. Paro. Ouço. Praguejo. O entusiasmo chega rápido, com o resultado de meu trabalho. Mas o desânimo também bate quando sou informado de que um túmulo custa em torno de R$18 mil. Penso que esse poderia ser o dinheiro de entrada para um terreninho onde vou construir a casa amarela. E quem não tem dinheiro? Joga-se em algum buraco? Busca-se recursos junto à prefeitura? E a tal dignidade na hora da morte? Entristeço. Uma pontinha de alegria vem de novo, com boas notícias de um velho amigo. Enfim, a vida continua. De novo, sinto que o mundo é injusto quando descubro que uma meninha de apenas 6 anos foi acometida por uma doença que a deixou careca em menos de 20 dias: alopécia areata. Pesquiso.”A alopécia areata afeta aproximadamente 4.6 milhões de pessoas nos Estados Unidos. Ela caracteriza-se pela perda incompleta de cabelo do couro cabeludo que progride na sua totalidade (alopecia total) e eventualmente acomete todo o corpo (alopécia universal). Apesar da elevada incidência desta condição, desconhece-se amplamente sua base genética. No momento acredita-se em uma combinação de fatores genéticos e ambientais que resultem no fenótipo final”.Em Bauru, a família dessa garotinha ainda procura um caminho para iniciar o tratamento. O dermatologista indica um imunologista ou geneticista... E a família se preocupa com o estado emocional da garotinha. Nesta idade (e em tantas outras) o cabelo é sinal de beleza, de graça, de feminilidade... Penso que deve haver solução. Mas me comovo com essa pequena tragédia. Como será o nome dela? Essa menina terá de reagir... Vai desenvolver outros parâmetros de beleza. Vai encarar o preconceito alheio, mas, enfim, será uma pessoa melhor justamente por não viver nas amarras desta estética determinada.Volto a atenção para o meu dia, de novo. A tarde está caindo e a conjugação está longe de terminar.

"Estou tentando captar a quarta dimensão do instante-já. /.../Procuro estar a par dele, divido-me milhares de vezes, em tantas vezes quanto os instantes que decorrem, fragmentária que sou e precários os momentos – só me comprometo com a vida que nasça com o tempo e com ele cresça: só no tempo há espaço para mim." (Clarice Lispector, Água Viva)

Soltas e perfumadas



Para quem se propõe trazer idéias malucas, tenho sido um tanto melancólica, admito. Mas tenho lutado contra isso. E buscado, cada vez mais, as tão desejadas idéias malucas. Mas é que elas são tão velozes e tão desajustadas... que acabam passando direto, sem tempo para a impressão!Hoje, porém, uma delas ficou impregnada em minhas mãos. E agorinha mesmo estava aqui, olhando para o centro da palma e tentando decifrá-la. Se eu não me equivoquei na leitura, era cheiro de chá de frutas. Imediatamente me lembrei das palavras doces ou das doces palavras impressas – forma com que uma gentil leitora se referiu a nós – e pensei: e se os cheiros se convertessem em palavras assim que fossem capturados por nosso olfato? E elas (as palavras) saíssem pulando de nossa narina, perfumadas e saborosas? Imagine, por exemplo, o cheiro de pão fresquinho? Da minha narina, sairiam flutuando com graça os vocábulos saudade, vó, Maria, infância, sobradinho, balão, Priscila, Ricardo e André... Alípio, sol, piano... Cada um com seu cheiro característico. E num processo muito rápido, o cheiro exalado por cada palavrinha de referência à primeira faria uma multiplicação de outros vocábulos... até encobrir o céu com um verdadeiro léxico!


Quando penso que uma palavra
Pode mudar tudo
Não fico mudo
Mudo
Quando penso que um passo
Descobre o mundo
Não paro passo
Passo
E assim que passo e mudo
Um novo mundo nasce
Na palavra que penso

(Alzira Espíndola e Alice Ruiz)

Mulher faz marido refém de seu TOC



Para muitos, ela é apenas a repórter da rua, no melhor estilo das personagens de “O veneno da madrugada”. Mas dona Ainota tem segredos que, pouco a pouco, são revelados. Sabe-se, por exemplo, que ela e seu marido dividem a sala com baratas e ratazanas. Por conta disso, seu Teobaldo esteve doente e foi mantido escondido em casa. Dizem que ela não permite que ninguém entre lá. Nem mesmo o médico. Podem descobrir seu tesouro. “Foram anos para acumular tanta riqueza. Não posso deixar que levem tudo agora”. A Vigilância Sanitária já esteve em sua casa algumas vezes. “Mas só entram aqui com mandato do juiz”. Uma filha separada e um neto adolescente vivem no mesmo ambiente de risco. E são submetidos às regras da casa: não receber ninguém e sair o menos possível para não comentar sobre os hábitos de Ainota. Dizem que em razão da miséria vivenciada na infância, Ainota desenvolveu um Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC) por acumular objetos. Em seu caso, lixo. Latas, garrafas, papelão e embalagens plásticas. Ela alega que a prática é seu meio de vida. Mas a verdade é que ela vende muito pouco do tanto que acumula. Não consegue se livrar dos objetos. Para se sentir melhor, precisa manter a casa abarrotada de lixo. O problema é que o material reciclável e reaproveitável mantido dentro de sua casa já tomou conta de toda a estrutura. Tampou até a fachada. O cheiro já incomoda a vizinhança.Uma denúncia de um familiar relata que por conta de tanta tralha, o casal não ocupa mais o banheiro. O banho é tomado no fundo do quintal, de canequinha.Agora, a equipe de Saúde Mental do município entrará em ação. O caso ocorre num conhecido bairro da cidade do sanduíche. A mulher tem pouco mais de 60 anos e uma memória de causar inveja.

Elas lavam a alma



Implacável, o tempo modifica até nossas lágrimas. As minhas, por exemplo, já caíram por um simples e artesanal par de tamancos, quando tinha ainda uns sete anos. Rolaram também por amores adolescentes. E, bem antes, por leite, papinha e colo. Naquela época, elas eram bem mais doces e escorriam leves, arteiras. Com o tempo, se tornaram mais raras e definitivas. Já não rolam muitas vezes pela mesma causa. Quando desabam é para valer. E se fazem valer.Com elas, vão-se os argumentos, as desculpas vis, os perdões vacilantes. Agora, com exceção de um ou outro drama da sétima arte ou de algumas tragédias sociais, as lágrimas só vêm para lavar a alma e recuperar o sorriso, deixando todo o resto no lugar merecido: o passado!Ótimo dia! E obrigada pela visita.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Do quarto (escuro)

Já se passaram dez dias desde que postei mais um tímido textinho. É. A coisa tá feia. As histórias continuam nas ruas. Pulsantes. Eu é que ando "enquartada". Não que tenha perdido o interesse. Não é isso. Por exemplo, ouvi dias atrás a história de Judith - uma idosa enfartada e revoltada com a maneira como os "velhos" são tratados pela sociedade. Ela até me convidou para comer umas tortilhas em sua casa (ela tem cidadania espanhola e paixão pela cultura de seu povo), mas me senti tão impotente diante de seus problemas... Não criei coragem de encarar essa conversa. Nem quero encarar a velhice. É tudo tão assustador...
/.../
E o horário político? É praticamente um show de horrores. Eu me dou o direito de calar. Afinal, estou longe da redação diária...
/.../
O INSS até que tem tornado seu atendimento mais humanizado. Há uns três meses, com cartas de dois especialistas taxativos ao descreverem sua incapacidade para o trabalho, meu pai tenta obter um auxílio-doença. Depois de um indeferimento, ele aguarda nova perícia, confortavelmente sentado em poltronas almofadas e com senha marcada. Está melhor, reconheço!
/.../
E o seu Joaquim (um velhinho que mal consegue pronunciar uma palavra), que fazia um fala cidadão por dia na redação onde trabalhei, pasme, é candidato a vereador! Xi, falei de eleição!
/.../
Por fim, a vida segue adiante, ainda que a gente tente se trancar no quarto escuro.
Ótima semana!

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Mensagem jamais enviada

Ela escreveu um email num momento de desespero. Durante mais uma tentativa inútil de abandonar seus sentimentos por aquele canalha declarado, de risinho cínico e olhar envolvente. Eu disse para ela pular fora. Avisei para sair daquela relação antes de se apaixonar de verdade... Mas ela é teimosa. Nunca me ouve... Eis, a tentativa infeliz, que felizmente nunca saiu de sua caixa de rascunhos... E, cá entre nós, mulher gosta de se enganar. Só pode ser isso!

“Bom, pelo pouco que você pôde me conhecer, deve saber que não costumo abandonar nada enquanto não tenho a certeza de que não vale mesmo a pena... É por isso que escrevo hoje, numa tentativa de virar a página de vez.
Bom, em resumo, sei que você está namorando. E, ao que tudo indica, mais uma vez vive uma história repentina de amor profundo, com demonstrações públicas de carinho, que aliás me surpreendem... Mas eu confesso que duvido um pouco de tudo isso. Duvido dessa alegria anunciada. E tenho sentido muito a tua falta. Por isso, sem saber bem se devo, decidi dar a última cartada, dizendo exatamente o que ocorre: eu ainda amo você!
Não adoro, como costumava dizer... Amo mesmo, considerando todos os defeitos e deslizes. Imagino que a essa altura essa declaração não faça muita diferença. Mas na dúvida, decidi falar pela última vez, antes de abandonar essa história de vez. Por enquanto, não fiz força. Talvez até tenha alimentado esse sentimento, mas agora quero mesmo esquecer tudo. Antes, porém, precisava dizer de novo que sinto tua falta. Dizer que sempre que viajo gostaria de dividir as cenas e os olhares com você. Dizer que o teu cheiro ainda está em mim. E foda-se! Falei!”

É ou não é uma ação desesperada? Ô, garota, pára com isso. Sai dessa. A fila anda, pô! Obs.: A história é verídica e vivenciada por uma grande amiga que aceitou publicar o texto para levantarmos uma questão muito comentada em mesas de bar. Afinal, por que a gente entra em tantas furadas? Será que, apesar de espontânea e desprendida, posturas como esta não motivam canalhas de plantão a continuarem por aí a destruir corações? O mesmo ocorre com as SMS fora de hora, recadinhos via e-mail, ligações no meio da noite... Conheço muitas mulheres que já cometeram esses "pecadinhos" de amor. Eu mesma já fiz algo parecido. Mas, em geral, todas se arrependem muiiiito depois do "desabafo". Fica a sugestão para comentários!

segunda-feira, 30 de junho de 2008

As velhas e boas cartas



O que já foi meio oficial de comunicação entre os povos por anos e anos, continua fazendo parte de minha vida como uma mania. Mas confesso que o hábito considerado ultrapassado é praticado apenas com uma amiga de infância. Com ela, sinto-me à vontade para trocar idéias com frases inteiras, pontuadas, cheias de saudosismo e mimos com a nossa língua portuguesa.
/.../Olá, caríssima!Espero encontrá-la bem. E, de antemão, peço desculpas por não ter ligado bem no dia em que você completou anos. Confesso que tive medo de encontrar outra e não aquela em quem confiei segredos e desabafos existenciais. Temi que minha amiga tivesse ficado no velho ano, com preguiça de passar para 28 de julho de 2008 e todos os outros dias que vão lhe encobrir. Temi que uma voz fria me atendesse e me fizesse cobranças pelas ausências anteriores.
Então, eis que “faço uso” da palavra escrita para lhe felicitar! E agora abro um parêntese: “Faço uso” está aqui entre aspas porque não gosto dessa expressão e uso-a ironicamente, embora digam que ela é a mais correta para o caso de “transferir a palavra” a alguém em um evento, por exemplo.
– Agora, chamamos fulano de tal para fazer uso da palavra!Que coisa horrível, não? Eu diria, quem sabe:
– Agora, chamo fulano de tal para proferir suas palavras a este público! Ou,
simplesmente: - “Passo” a palavra a fulano de tal. Argumentam que a palavra não pode ser “passada” porque é algo abstrato. E então pode ser usada? Como uma blusa, por exemplo? A discussão é das boas. Ainda não sei o que o prof. Pasquale pensa do assunto, nem consultei meu amigo Luiz Antonio Sacconi... E já me alonguei demais nisso./.../Hoje é moda fazer cafés filosóficos aqui em Bauru... E nós já o fazíamos há tempos, não é? Quanta saudade... Saudade das conversas e dos momentos em que silenciávamos por saber que não havia solução para o caso... Nós aceitávamos isso, não é? Não que fôssemos passivas, mas aceitávamos com certa resignação. E isso faz falta hoje em dia.Bom, amiga, termino essa carta com um pedido especial: “não me deixe num canto qualquer”. Ainda gosta de Chico?

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Eu me importo

Desculpe dizer assim na lata, mas eu me importo com tudo aquilo que me diz respeito e também com o que lhe diz respeito. Importar-se consigo e com os outros talvez seja o mais importante no momento. E, claro, demonstrar que se importa. Por que, afinal, os manuais de sobrevivência nos “manda” fazer de conta que nada aconteceu? Por que devemos esperar, ao menos, três dias para ligar de volta à pessoa amada? Por que devemos fazer cara de paisagem quando, na real, queremos um papo franco, olho no olho? Por que devemos fazer cara de esperto quando o chefe cita uma teoria desconhecida? Desculpe, mas, para mim, isso é não se importar. Porque se você cuida apenas de manter as aparências, não está, de fato, preocupado em praticar mudanças, trazer melhorias, proporcionar reflexões. Passar batido seja lá pelo o quê, é, sim, não se importar. É não dar a mínima para os envolvidos na situação. A pessoa que deixa de entrar numa discussão para não “aumentar o problema” não se importa em obter um resultado satisfatório. São pessoas que levam a vida “com a barriga”, “no bico”, “na maciota”. Os que mudam o trajeto, então, só para não encarar uma crise são covardes. E, definitivamente, não estão nem aí para os outros. E os que mudam de namorada como quem troca de camisa só para não reconhecer que o grande defeito está em si? O que dizer deles? Não, não compreendo isso. E reafirmo: eu me importo. Fico sensibilizada quando erro com alguém e também quando alguém erra comigo. Sim, porque fico me perguntando qual a razão daquela experiência? Que tipo de caminho um tombo quer me apontar? Que tipo de mensagem está por trás de um NÃO bem grande? Desculpe... Mas é preciso se importar... Especialmente neste “momento” (tão duradouro) de afagos fortuitos, de temores existenciais... De medo da solidão, da violência, da competitividade, do insucesso...
É preciso se importar e demonstrar isso. E, apesar da frase “não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam”, continuarei me importando. Você se importa?

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Bela bela

“(...)bela bela mais que bela
mas como era o nome dela?
Não era Helena nem Vera
nem Nara nem Gabriela
nem Tereza nem Maria..”

E como não ser bela
Se nela, pulsa a vida?
Nela, tão bela,
Tão dela...

(O pior é saber que, para mim, ela ainda é uma boneca. Minha Bruneca!)

Doce, decidida, com sede de aventuras... Como quem não quer nada, de rabo de olho, ela buscava alguma transformação... Alguma novidade... E quer maior novidade do que esta? De agora em diante, a cada dia seu corpo vai pulsar... E assustadoramente ela vai descobrir a transformação...

Não vou dizer que não vai doer. Vai sim. Além do parto, serão noites inteiras à disposição de um serzinho que não dará sossego. Esta, aliás, é uma palavra que deixará o seu vocabulário por muito tempo. Ele vai “morder” seu mamilo, vai assaltar suas noites de sono, invadir a sua vida inteira... E ela ficará boba por ele...

E ao fitá-lo, adormecido, ela talvez descubra que essa era a transformação que realmente buscava... Se isso ocorrer, certamente ela descobrirá que é uma das mulheres abençoadas nascidas para ser mãe!

sábado, 7 de junho de 2008

Sobre dedos, máscaras e discursos

A maioria das pessoas com quem convivo não compreende a relação que mantenho com meus textos. Elas acham que sou meio culpada por não escrever fatos do dia-a-dia. Alguns colegas pensam que tenho um texto romantizado, pouco objetivo para a objetividade com que lidam com a vida – e a morte, é bom lembrar.

Coitados. Nenhum deles sabe, a fundo, a sina que vivencio. Não entendem que sinto as palavras, que me alimento delas, que sofro e me deleito com cada piscada do ponto e vírgula... Mal sabem que elas balbuciam e me convencem quando bem entendem.

Desavisados, pontuam minha postura como se fosse um simples perfil profissional e ainda zombam da criticidade aparentemente afastada. Não percebem que sou uma escrava da palavra solta. Defensora involuntária das expressões espontâneas.

Duvidam desses dedos andantes e completamente conchavados com os verbos, os adjetivos sequinhos e os substantivados. E mais: comprometidos com o dizer dos esquivados, o rancor dos mal-amados e o delírio dos apaixonados. Pilantrinhas, eles ganham ânimo com o simples toque dos teclados e se felicitam por me tomar inteiramente. É assim que também tomam para si a verdade que está em mim – e em você.

Para dizer a verdade, eu mesma ainda tento entender. O fato é que a escrita que flui de mim é muito íntima comigo. Por isso, costumo travar quando tento esconder algo de mim ou quando estou com algo engasgado ou mal-resolvido.

Vem sendo assim nos últimos meses... Quando busco falar de amenidades num momento em que fervilho angústias. Quando vejo meu país tratar mal os velhos produzidos por um sistema que alonga a sobrevivência (e não necessariamente a vida). Quando me estupefata o preço da morte! Quando vejo crianças em número cada vez maior nas esquinas da cidade que adotei como lar, mendigando o tal alimento que no papel lhes é concedido como direito.

Quando vejo - estarrecida – profissionais credenciados para proteger direitos como este fazerem vistas grossas para a exploração infantil e se divertirem em noite de plantão, dando “carteiradas” em portarias de bares com a desculpa de verificar se o ambiente está respeitando o ECA. Eca!

Mas não passa de hipocrisia, dizer coisas politicamente corretas, fazer alertas, criticar autoridades e mesmo reconhecer o quanto somos – todos – covardes por vivermos nossa vidinha, trocarmos de carro, comprarmos nosso pedaço de terra e, de vez em quando, darmos uma esmolinha ou “fazermos nossa parte” cuidando de uma horta escolar ou adotando uma praça...Se não fizermos a diferença.

Talvez seja por isso que travo. Travo quando digo "tudo bem, não tem problema" para quem gostaria de dizer: "peraí, você não tem coração, não tem ética?".
Travo quando cumprimento educamente pessoas que gostaria apenas de atropelar. Engasgo quando bem na hora "h" tropeço na palavra certa e dou uma desculpa qualquer. Travo quando fico no salto, embora a vontade maior seja exatamente "dar um barraco". Travo com a miséria humana. Travo com o hipocrisia. Travo com o discurso falso... Com a embalagem anunciada e a falta de conteúdo.

Os dedos enrijecem. Silenciam. O teclado parece virótico. Os olhares alheios se fecham ocupados. Não passam mais a vista em palavras desesperançosas. Querem o riso. Preferem os dentes falsos às lágrimas desmascaradas. O alarde à reflexão. E, por isso, os amigos, aqueles críticos diários, repetem os velhos modelos. Reproduzem discursos e levantam hipóteses. É disso que vivem!

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Correção

Em tempo - e graças à observação de um generoso leitor - ratifico que Socorro é uma composição de Arnaldo Antunes e Alice Ruiz... E confesso: fiquei curiosíssima para ouvir esta música na voz da Gal... Tô aguardando o arquivo, viu Balico!

Também aproveito a deixa para dizer que estou sumida sim, mas gestando algumas idéias que em breve vou compartilhar com vocês. Obrigada pelas visitas!

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Perguntas bobas

Até onde irá a capacidade de perdão de um homem?
Será mesmo que o amor é amoral?
E a esperança? De onde ela vem? Quando ela morre?
De onde vem o comodismo?
Por que, às vezes, o riso só distrai a tristeza?
Quem são as pessoas desconhecidas que nos parecem tão familiares?
Por que um olhar doce supera tantas canalhices?
Como é que podemos amar a mesma pessoa por tantas vezes - e em momentos tão diferentes?
Por que todo mundo quer, em algum momento, discutir a relação?
Como um samba é capaz de transformar o nosso dia?
Quando sonhamos com alguém, esse alguém também sonha com a gente? (rs)

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Solteiro também é gente




Aumenta a cada dia o número de serviços especializados para solteiros. Isso é fato. Mas também é fato que uma mulher solteira que decide se sentar num bar e pedir uma cerveja recebe na mesma hora olhares tortos ou cheios de segunda intenção. Nada de mal até aí, se ela estiver interessada em descolar um gato. O problema é que, muitas vezes, ela só está a fim da cerveja mesmo.
Outra situação constrangedora é chegar num hotel turístico com uma amiga. Sim, elas poderiam ser gays – e daí? O problema é quando são apenas amigas durangas a fim de economizar uma graninha, dividindo o quarto duplo. Vamos combinar que ninguém é obrigado a tolerar olhares preconceituosos sem, ao menos, pagar para ver!
Já viu solteiro chegando num bar sozinho? Logo perguntam:
- Mesa para quantos?
- Ué (olho para os dois lados), você está vendo mais alguém comigo?
Mais uma vez há uma tolerância maior com homens. Mas com mulher é batata!E shopping no fim de semana? Entupido de casais. É uma profusão irritante de mãos dadas para cá, mãos dadas para lá. Sorvetinhos a dois... urgh!
E a agonia dos solteiros não pára por aí. Festa de fim de ano na casa daquele primo precoce. Ele se casou aos 18, tem três filhos e planeja ser avô ainda moço. E convida toda a família para a ceia de Natal. O primo solteiro chega e ouve uníssono: - E a namorada? Não quis trazê-la?
Bom, eles perguntam sobre a namorada porque da última vez o solteiro, cansado dos questionários de sempre, lascou a mentirinha inocente da namorada que está viajando ou mora em outra cidade. Pior que isso é só a falação daquela tia que não se conforma:
- Mas você é tão linda, simpática, inteligente, só falta um marido, não é?!
Nessas horas, manifestar ódio ou indignação é besteira. O melhor dos argumentos é tripudiar sobre os casados:
- Eu hein, não vê como estou esbelta? Olha a fulaninha (e aponta para aquela prima de 30 com cara de 45, cheia de filhos) como está! Eu não! Optei por investir na minha profissão! (e encerra o assunto em alto e bom tom)
Mas, na verdade, não é fácil driblar essas mazelas que acometem os solteiros no dia-a-dia. E por mais acostumados que estejamos, sempre sobra uma raiva, um mau-humor, por conta do comportamento dos adestrados para o casamento.
Para discutir essas questões, eu e outros jornalistas estamos com um projeto, ainda engavetado, que promete ao menos muita diversão... Aliás, os jornalistas estão na lista dos profissionais solteiros. Com eles estão os analistas em informática, médicos e executivos. “Com tanto trabalho, não sobra muito tempo para investir na vida pessoal. Acabo de sair do oitavo casamento”. É o que afirma um alto executivo, que prefere não se identificar. Ele está entre os solteiros que tentam se casar, mas os casamentos não duram muito em razão do perfil individualista que coloca a profissão e as manias à frente do relacionamento.


Em breve: Ovos mexidos! Aguarde novidades.
Eu volto!

terça-feira, 13 de maio de 2008

Vontade



O tema tem sido recorrente para mim. Mas constatei algo novo: eu preciso “estar amando” para me sentir feliz. Não é apenas uma questão de amar o amor, como já falei ao comentar sobre “O amor Líquido”, mas de precisar senti-lo. Tenho cantado freqüentemente aquela canção de Cássia Eller: “Socorro, não estou sentindo nada... Nem medo, nem calor, nem fogo. Não vai dar mais pra chorar, nem pra rir...”. Isso é péssimo. Só me inspiro para a vida quando estou naquela situação constrangedora de ruborizar a face ao ouvir a voz da pessoa amada... Nessas ocasiões trabalho melhor, sinto que me organizo com mais facilidade e tenho muito mais fé na vida. Duro mesmo é estar como estou hoje. De coração mole, mas solitário. Em fases como esta faço algo horrível e só racionalizado agora: invento amores. E faço de tudo para acreditar neles. Para sentir o tal amor... Então, sou capaz de enviar mensagens apaixonadas, de me declarar para pessoas vis... Mas, ó, não é nada com elas. É comigo. É só um jeito de apaziguar meu coração, de enganar minha saudade... Saudade de amar de verdade.
Sim. Pode dizer. Isso é ridículo. Mas, fazer o quê? Foi o jeito que encontrei para continuar inspirada, mesmo sem ter um objeto inspirador a mexer comigo...

quarta-feira, 7 de maio de 2008

AMORES




Descrição 1
Sinto que hoje começo a escrever as primeiras – e verdadeiras – linhas de minha história. Ele é jovem. Tem 25 anos. Estatura mediana. Pele clara. Lábios rosados e mornos. Cheira muito bem. Uma mistura de ervas e frutas. Seu abdômen é rígido e a pele macia. Sua respiração é suave e ao mesmo tempo excitante, assim como suas mãos. O nome é de anjo. E, a partir de hoje, através de seus pequenos olhos, vejo outro mundo que estava em mim pronto para fluir.
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Descrição 2
Seus olhos chamaram minha atenção de cara. Negros e vivos, penetraram em mim com determinação, mistério e encanto. Sua voz me invadiu e logo me despertou para um eu profundo e irrefutável. Jamais fui a mesma. De seus lábios saíram palavras-flechas. Em seu corpo musculoso e moreno meus olhos se deleitavam... Foi assim por anos. Quando ele dobrava a esquina, rumo ao colégio, meu coração virava um tamborim.

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Descrição 3
Com ele não foi amor à primeira vista. Muito pelo contrário. Eu tinha verdadeira implicância com aquele metido a conquistador. Cheio de charme, circulava pelo bairro com um macacão Levi’s. Era atraente, mas arrogante. Namorador e repleto de atitudes familiares... Resisti. Resisti às evidências de seu caráter irretocável. Resisti ao ar viril. Às mãos definidas, fortes, cheias de desejo. Foi assim até o primeiro beijo. Até sentir sua respiração. Depois, tudo se perdeu.