domingo, 24 de maio de 2009

hmmm, dois...

É estranho não ter o que dizer ou não querer dizer nada a pessoas que ainda admiramos e de quem ainda sentimos saudade. Mas acontece. Há dias em que desejamos apenas acenar um "oi", saber se o outro está bem... trocar a mínima energia que seja, mas sem exposição de ideias e sentimentos. Sem demonstrar qualquer outra coisa.
Isso já aconteceu com você?
Comigo é batata. De tempos em tempos sinto isso em relação a pessoas por quem tenho afeto. Sinto uma necessidade latente de me afastar. De parecer uma ostra. Depois de "apanhar" um pouco, percebi que é melhor manter distância de algumas pessoas por mais queridas que sejam. Ao mesmo tempo, é preciso mandar de vez em quando um sinal de fumaça. É como se dissesse: - olha, não quero contato, quero apenas saber se você está bem e registrar que, se preciso, pode contar comigo. Estranho, né? Mas é coisa de gente. Gente é assim. Complicada...
Ótima semana!

domingo, 17 de maio de 2009

Era a hora

"A hora era aquela e eles não entendiam. Eu não queria que aquela história fosse cheia de personagens, de vida, de recheio. Queria que fosse mais a minha cara: pálida, de olhar através. O leitor teria de ter paciência. Tudo desenrolaria, lenta e discretamente.
/.../
Demorei muito tempo para entender que não adiantava querer sua opinião. Ele jamais se expressaria de forma direta - nem indireta. Ele era o que chamamos de uma ‘ostra’. Fechado como uma ostra.
E, agora, pensaria na ostra e escreveria para ele. É como se isso me desse uma força invisível capaz de me tornar uma quase-escritora. Imaginar suas mãos apanhando este papel e voltando os olhos atentos para essas linhas tortas me alivia. É, mais uma vez, a comunhão. Nesse momento, comungo com você o deleite de estar viva e o desespero vazio de ter de seguir adiante no meu raciocínio torto e nas minhas risadas brancas. Um riso irritante de quem quer apenas passar despercebida e aceita. Sim. Ser aceito é praticamente tudo o que um ser humano deseja da vida que lhes deram. Neste caso, tentei recuperar o que me sobrara de humanidade naquela tarde de outono. Mas, tudo o que consegui foi confirmar minha condição de espectadora. Por um átimo de segundo fui, sim, o sujeito daquela ação que, agora, me causa horror. Mas, imediatamente retornei à minha condição de origem.
De nada adiantariam pedidos de perdão. Fiz o que minha mera existência exigia de mim. Você me entende?
A maior volúpia, então, é ter seus olhos maiores sobre meus pesares. Estamos, mais do que nunca, entregues à paixão. Paixão que nos consome e que me torna você. Só agora entendi que gritamos mudos numa só direção".

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Afinal, amigos?!

Nem vou comentar o fato de ter ficado semanas inteiras sem passar por aqui... Passou!
/.../
Hoje quero apenas registrar o quanto é gratificante perceber amizades fiéis, verdadeiras, inabaláveis. É gratificante e reconfortante. E com “inabalável” não quero me referir a amizades intocáveis, sem brigas, sem desencontros. Isso não existe. Mas existe, sim, um sentimento pulsante que faz alguém morar dentro de nós mesmo que não concordemos com tudo o que “esse alguém” diz, pensa ou faz... Um amor incondicional que mantém algumas pessoas aqui do lado de dentro, apesar da distância, do tempo e dos destemperos da vida... E, de vez em quando, encontrar esses “alguéns” para papear, para recordar cenas em comum ou simplesmente para olhar olho no olho é uma delícia!Ter gente assim para sentir saudade... é bom. É muito bom!

terça-feira, 31 de março de 2009

"Se eu te pudesse dizer, o que nunca te direi, tu terias que entender aquilo que nem eu sei."

1+1 = 0

Não adianta insistir. Não falo mais. O clarão que me persegue é meu. As sombras idem. Não vou dividir mais nada. Afinal, nem o que sinto por você é seu. Não lhe entreguei. Lembra? Agora não adianta esperniar. Enterrei tudo na caixinha verde. Apenas as folhas amarelecidas poderiam contar algo... Mas duvido que façam isso. Elas são fiéis. Não precisam falar pelos cotovelos para parecerem simpáticas ou se sentirem aceitas. São autênticas. Não riem à toa. Observam tudo sabendo exatamente “a dor e a delícia” de serem o que são. Agora, é com você!

sexta-feira, 27 de março de 2009

Refém

De novo silencio. Silencio a angústia de me sentir refém da violência. De novo aquela velha máxima: nos trancamos em casa para que os bandidos dominem o mundo! Façam a festa!
A sensação de impotência, a revolta por leis contraditórias, a raiva por ter a vida influenciada por ações vis... Tudo isso me faz silenciar.
/.../
Mas agora tá ficando mais difícil... Nesta semana, um colega de profissão jogou no ventilador uma história muito feia: ele teria sido coagido a não criticar a Câmara Municipal de Bauru em razão de um contrato que a nobre casa teria fechado com a emissora onde trabalhava (a tradicional am Auriverde). Por ter se negado ao "cala boca", Mirandão foi demitido! Em que século mesmo nós estamos? É de amargar!
O Blog da Casa {Midiática} reproduziu nota de repúdio publicada no site do Sindicato dos Jornalistas.

terça-feira, 24 de março de 2009

"Será que estou me traindo? Será que estou desviando o curso de um rio? Tenho que ter confiança nesse rio abundante. Ou será que ponho uma barreira no curso de um rio? Tento abrir as comportas, quero ver a água jorrar com ímpeto. /.../"
(Clarice Lispector)

terça-feira, 17 de março de 2009

Tenho procurado fazer nada. Mas, confesso, neste nada há tanto o que descobrir... As ideias, porém, seguem confusas... Por isso tenho apenas colecionado frases alheias enquanto tento organizar minha própria sentença... Deguste algumas delas:

"Ultimamente têm passado muitos anos" (Rubem Braga)
"Não é melhor nunca que tarde?" (Pablo Neruda)
"Como descrever uma luz acesa?" (Clarice Lispector)
"A cultura não salva nada nem ninguém. Ela não justifica" (Jean-Paul Sartre)

quinta-feira, 5 de março de 2009

Já é madrugada. Escrevo apenas para matar o tempo. As ideais estão evaporando com o calor... Antes sólidas, depois líquidas, agora simplesmente evaporam...

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

E lá se foram a sexta-feira 13 e também a quarta de cinzas...
Os dias voaram e finalmente eu pude rever o mar. Renovada, retorno de uma divertida viagem de Carnaval. Mas em razão dos detalhes, penso que isso seja papo para o blog ao lado: o Mundo Miojo! Espia lá! Bjs e ótima semana!

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009


Friozinho em Bauru nesta sexta-feira treze. Aliás, teremos duas sextas-feiras treze neste ano. Uma em fevereiro e outra em março! O mais importante mesmo é que este friozinho anuncia um fim de semana de aconchego. Ótimo fds!

A foto é do thetopblog.wordpress.com.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Cumprimento

É admirável a capacidade que as crianças têm de estender as mãos... De se jogar para o desconhecido. Hoje pela manhã tive mais um exemplo disso. Caminhava apressada na calçada, já na rua do meu trabalho... Em minha direção vinha uma senhora empurrando a cadeira de rodas de um menininho (seu filho, provavelmente). Estávamos distantes ainda e ele já estendia a mão direita para mim, num gesto delicado e desprendido. Confesso que fiquei surpresa e também feliz. Afinal, dar a mão para um garotinho de olhar expressivo e cheio de atitude logo na segundona pela manhã só pode me trazer sorte!
Ótima semana!

domingo, 8 de fevereiro de 2009

E no que devo me pautar para entender a incoerência das pessoas?

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

em silêncio

Entro para o fim de semana em silêncio! Apenas o silêncio! Aproveite seus dias e curta a imagem postada... É de Rinaldo Tamarozzi.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

quem responde?



"A quem posso perguntar o que fazer neste mundo?"

(Pablo Neruda - Livro das Perguntas)

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Tá na Tribuna Popular!

"A Secretaria de Educação de Jaboatão dos Guararapes (PE) está realizando seleção simplificada para a contratação temporária imediata de 510 professores.
Os profissionais serão contratados em duas categorias: professor polivalente, com salário de R$415,00, acrescido de 30% (trinta por cento) da gratificação de exercício de regência de sala ou professor aulista, que receberá R$3,50 por hora-aula com o mesmo percentual de bonificação."

As inscrições estão sendo aceitas hoje, 29, e amanhã. Hoje, mais de 3 mil pessoas engordaram a fila na frente da sede do Clube Intermunicipal, localizado na Rua Nilo Peçanha, nº 303, Prazeres, Jaboatão dos Guararapes-PE.
E, então, o ensino é levado a sério no Brasil ?!?

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Coragem

Virada a página “saudade”. Falo hoje de outra palavra difícil de encarar: coragem.
Ela é dura. Pesa. Dói. Antes de nos enchermos dela, costumamos reclamar um pouco. Ter dó de nós... Daí, respiramos fundo e eis que surge uma coragem estruturada, robusta, cheia de energia para enfrentar seja lá o que for. A coragem é assim, a gente decide que vai encarar e pronto. Encara.
Falar o que a gente pensa é questão de coragem, pensam alguns. Para mim esta atitude tem mais a ver com sentimento mesmo. Quando falo ou escrevo o que sinto não estou sendo exatamente corajosa. Mas passional. Falei porque senti. Depois pode até ser que eu me arrependa. Mas a atitude é maior do que qualquer arrependimento. Porque o sentimento é maior.

Mas tem outra coisa... Quando digo ou escrevo, materializo. E isso, em geral, tira a força do que eu estava sentindo. É como se ao dividir com alguém eu tivesse a capacidade de transferir aquilo. Então sinto menos. É contraditório? Talvez. Porque, de certa forma, quando escrevo aquela verdade ela vai se tornando mentira...
Bom, é isso! Não acreditem muito em mim!
Ótima semana.

sábado, 24 de janeiro de 2009

Para fechar o tema "saudades" (nesta semana)

Tenho saudades de conversas descompromissadas com certos amigos que, às vezes, só às vezes, acabavam me comprometendo…

Saudades especiais de um com quem podia fazer brincadeiras ortográficas, piadas gramaticais… Inventava até pegadinhas léxicas só para deixá-lo com uma pulga atrás da orelha… E sempre funcionava! Saudades de seu humor refinado, de seu charme contido… Até mesmo de suas frases feitas. O mais engraçado – e o que ele não sabe até hoje – é que eu soube (antes) todas as vezes que ele quis me enganar e me diverti com sua infantilidade. Mesmo assim, nunca o odiei por mais de um dia. Seu talento profissional, em especial, inspira minha admiração por ele até hoje.

Outra saudade é de quem me embalava em horas e horas de conversa envolvente. Algumas mentiras, é verdade. Mas irresistíveis. Ele era musical e me apresentou para nomes dos quais jamais me separei. Lembro-me que depois de anos distantes conseguimos nos sintonizar até mesmo numa festa junina, rodeados de gente chata cheirando a quentão… Numa daquelas noites de São João, falamos de música a política em quase duas horas de conversa ininterrupta. Eu usava um longo vestido xadrez e tinha 19 anos. Há quem diga que ele é minha alma gêmea. Eu acredito. Mas jamais passamos de um beijo. E já faz 16 anos que fitei, pela primeira vez, seus pequenos e vivos olhos negros.

A saudade mais intensa, no entanto, é daquele que grudou na minha pele (feito tatuagem). Daquele com quem fiquei, no início, apenas na intenção de desafiar meu pai. Mas com quem trilhei metade da minha existência logo após me revelar apaixonada… Dele recebi as maiores provas de amor, amizade, confiança e cumplicidade. E é com ele que ainda penso em ter a Luiza e o Miguel (ou Lucas, ainda não definimos)...

Sim. É de amor que estou falando. Todas estas saudades são de pessoas amadas. Profundamente amadas por mim. E não me envergonho de falar disso. Amar não está fora de moda, não. O problema é que as pessoas estão cada vez mais envolvidas em futilidades e temem o amor. Só isso.

Eu amo. Por isso mesmo, vira e mexe, sofro. Mas sofro pela naturalidade com que tudo acaba e não por ter vivido tudo o que me propus. Enfim, hoje cortei uma laranja, respirei profundamente, e senti uma falta enorme desses três homens que ficaram em mim, independentemente do tempo e dos dias que seguem.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Aos 88 anos, Tinoco precisa de trabalho

Tá no Balaio do Kotscho! Vale a leitura. É o retrato de um Brasil contraditório. Rico em cultura popular, mas que comumente vê seus grandes artistas terminarem os dias na miséria!

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

foto: Fernanda Moraes
É difícil descrever o prazer de saborear um petit
gateau. Mas vou tentar, embora cada receita e local onde esta sobremesa é saboreada faça variar, é claro, a sensação do paladar.

Bem, vou começar pelo último mais saboroso que experimentei. Foi em 2008. Era um dia de março, fazia muito calor e eu me despedia da Ilha Bela no espetacular Bar e Restaurante Almirante (lado sul da ilha). Lá, pude apreciar um espaguete com frutos do mar e, para arrematar, comi lentamente um petit gateau! A combinação do bolo quente, de recheio cremoso, com aquele sorvete refrescante é algo indescritível. Com vista para o mar então... Aquela brisa, os belos garçons vestidos de marinheiros... E aquele petit gateau... A cada colhereda eu pensava: - aproveite, Elaine... Desperte seu paladar para este momento único!

Ainda em 2008, escapei num dia de semana com uma amiga e fui saborear a tão especial sobremesa num café da cidade, o Pepper. Em plena segundona, estendemos o horário do almoço e abusamos! Exageramos no almoço e completamos a estripulia com o desejado bolo com sorvete! Este tinha cereja e chantilly – uma variação da casa. Delícia!
Bom, é claro que também já felicitei meu paladar com um caprichado petit gateau em jantarzinhos românticos. Mas confesso que não encontrei um companheiro tão apaixonado pela sobremesa... Isso tornava o jantar menos cúmplice, afinal meu par não apreciava tanto o doce quanto eu...

Com as devidas variações, portanto, sempre considero “sagrado” o momento de me deliciar com tal guloseima. E é assim até hoje. Mesmo quando saboreio esta sobremesa em casa, jogada no meu sofá, sinto uma sensação maravilhosa. É como se tudo devesse parar para eu sentir o sabor! Essa da foto acima foi preparada ontem, por minha amiga Fernanda Moraes, em menos de 50 segundos! Ficou ótima!

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Saudade...




A saudade martela, bate fundo... Engole até mesmo as palavras!

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

“Shampoo Esperança”


Eu resisti. Mas não tem jeito. Hoje é o quarto dia que abro meu e-mail e cai uma mensagem inusitada: “Shampoo Esperança”. No corpo do e-mail uma pergunta seguida de forte promessa: Porque você ainda é Calvo? Se a solução para seus problemas acaba de chegar em suas mãos!

É claro que essa é só mais uma entre centenas de porcarias que caem na minha caixa postal diariamente. Mas não deu para deixar passar por mais um dia. Talvez seja a palavra “esperança”. Talvez seja o “shampoo” grafado a tio Sam... O fato é que tive, por um momento, um fio de esperança... Quem sabe este xampu poderia trazer soluções para além dos problemas capilares? Quem sabe possa penetrar mais fundo na cabeça até atingir nervos e neurônios? Trazendo mais criatividade e agilidade a medrosos candidatos à calvície...

E a mensagem termina bem ao gosto popular: “A hora é agora. Não deixe para amanhã o que você pode fazer hoje!”.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Pelo ralo



Enfim, mais um ano se vai...
Da última vez que escrevi aos amigos, com votos de um novo ano feliz, falei da necessidade premente de perdermos algumas coisas para ter espaço para outras... E isso, ao menos, consegui cumprir.
Perdi peso, sentimentos e pessoas. Doeu um pouco, é verdade. Mas no balanço final foi extremamente positivo.
Por que? Porque hoje consigo perceber que eu não precisava de nada do que perdi . Era tudo gordura. Essa, aliás, foi uma lição que aprendi quando trabalhei no Jornal Bom Dia: há sempre o que cortar!
Assim como nos textos, na vida da gente há excessos que podem – e devem - ser dispensados. Só precisamos ter olho clínico para separar o que de fato é essencial.
Por tudo isso, renovo meus votos para que, em 2009, você tenha muitas perdas e possa valorizar o que realmente lhe importa!

P.S. E que possamos estar juntos para dividir perdas e danos com uma boa cerva, porque “também sem uma cachaça ninguém segura esse rojão!”

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

imagem: http://www.sxc.hu
Hoje o Papai Noel esteve aqui no Centrinho-USP. Fez a felicidade de centenas de crianças, entregando brinquedos fofinhos.
Uma das crianças, porém, chamou muito a atenção. E, tenho certeza, tocou fundo muita gente. Nem o Papai Noel, do alto de sua experiência - inclusive em ações de saúde pública nos bolsões do Brasil, como cirurgião-dentista -, estava preparado para ver tal cena...
Na cabeça só passavam comparações bobas e inevitáveis...

[Sofremos quando nossos olhos ardem, pela poluição... Pela luz excessiva da tela do computador... Mas ela não tem olho.
Sofremos pela espinha no rosto, pela boca rachada pelo frio ou pelo calor... Ela não tem esse problema... No lugar do rosto, há muitas fendas... O corpo é desproporcional à cabeça. Meu Deus...]

A mãe dessa criança trazia no rosto um sorriso desconcertante. Nenhum desespero. Pelo contrário, seu olhar doce tentava acalmar quem observava a cena, estarrecido. Fiquei pensando se isso é mesmo uma missão... Será que Deus escolhe as pessoas certas quando envia pra cá crianças com tantas necessidades especiais?
Sei apenas que aquela mulher é serena. E certamente está pronta para enfrentar com essa criança - a Vitória - todos os obstáculos que surgirem ao longo dessa caminhada.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Emp(o)tecida (haja potes!)

Como previsto ele não leu. Ele nunca lê. Não sei se isso me alivia ou se, ao contrário, aflora ainda mais os meus nervos. Aliás, quero registrar aqui meus pedidos de Natal. E ressalto: peço tudo em potes de, no mínimo, 500 gramas.
- 1 pote de tolerância para receber respostas do tipo “mas entendo que essa informação não é importante” (entende é? E do que mais você entende? Fez curso de Jornalismo?)
- amor puro e ingênuo pela existência humana (desse quero uns dois potes bem servidos! Quem sabe assim consigo compreender essas pessoas que se levantam pela manhã cumprimentando os bichos, abraçando as árvores e vibrando pelo fato de respirarem...)
- bom humor genuíno (para tolerar os bem-humorados de fachada, daqueles que ficam dando risinhos o tempo todo, contando piadas e reafirmando: ‘odeio gente mau-humorada!’. Desse também preciso de vários potes!)
- resignação (para entender de uma vez por todas que tenho uma missão a cumprir e não adianta querer dividir isso com ninguém, até porque ninguém vai entender o tamanho dessa missão. Como essa foi a minha palavra do ano, creio que um potinho será suficiente... Estou aprendendo...)
- concentração (será que pode ser uns 5 quilos? É que disso eu preciso muuuuiiito. Especialmente para ouvir até o fim explicações chatas e burocráticas de gente que se acha o tempo todo e também para entender normativas e regimentos de serviços públicos e de bancos... Principalmente de bancos!)
- (para crer que toda pessoa pode mesmo se recuperar e se tornar melhor ela e para os outros!)

Bom, vou pensar em outros ingredientes e termino esse texto nas próximas horas! Até mais!

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

AVE







Não sei se é perseguição ou se isso já aconteceu com você. O fato é que recebo com certa freqüência e-mails datados de 1969. Hoje, precisamente, recebi uma mensagem de 31 de dezembro de 1969. Ou seja: pleno réveillon daqueles anos doidos, de muito rock e muita porrada! O mais interessante é que no corpo do e-mail a data era outra. Pula do passado longínquo para um futuro em que nem meus filhos estarão aqui para contar história, se é que terei filhos: 2139. Neste caso, 8 de janeiro de 2139.

Bem, fiquei curiosa ao menos para saber qual o assunto do e-mail: AVE. Assim mesmo, tudo em caixa alta.

Pensei: - Afe! Mas, pensando melhor, AVE pode ser Associação dos Viciados em Empilhar, como ilustra um blog (http://cyahappiness.blogspot.com) desse mundinho virtual cheio de pegadinhas como esta. Mas o que eles iriam querer comigo? Eu juro que não gosto de empilhar nada... Bem, apenas alguns papéis e jornais... Mais nada. Juro!

Talvez seja a Associação Vida Especial (AVE) – entidade filantrópica criada em 2007, no Rio de Janeiro, para integrar as pessoas com deficiência. Seria um sinal?

Para o CPD de onde trabalho, alguém forjou o tal e-mail de 1969 ou para capturar meu endereço e depois enviar divulgações de Viagra, Ciallis e etc. ou para me mandar um vírus! Claro que eu sabia, desde o início, que era algo do gênero. Por mais desligada e pirada que eu seja, não pensaria que alguém que ainda vive em 1969 resolvera me mandar uma mensagem por um meio que nem existe em seu tempo! (risos) Mas, mas, mas...

Eu tinha que arrumar um assunto para escrever aqui de novo. E hoje me caiu esse. Sem contar que tive um sonho estranho. E somando o selinho que recebi de um ex-pra-lá-de-suspeito (no sonho) com essa “correspondência” atrasada penso que devo fazer um terno de grupo: porco, coelho e leão! Ótima semana!

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008


Hoje tive vontade de falar de amor. Do amor que pulsa quando simplesmente ouvimos a voz de quem nos traz conforto. Da pessoa amiga. Daquela pessoa para quem ligaríamos se ganhassemos na mega-sena ou se tivessemos uma grande decepção. Aquela capaz até de nos carregar bêbados, se necessário... Literalmente aquela pessoa com quem gostaríamos de estar na alegria ou na tristeza...
Mas por que será que nos demoramos tanto a perceber isso? Por que será?
É preciso sangrar primeiro. É preciso afogar mágoas. Ou engolir choro. É preciso trair, às vezes. Cair, às vezes. É preciso nos sentir completamente sós, mesmo tendo “mil pessoas ao lado”.
Para sentir de novo o amor, temos de perceber que não é de um “príncipe encantado” que precisamos... Eu, pelo menos, penso cada vez mais numa pessoa comum. Alguém sem amarras, sem empáfia, sem respostas prontas.
Importante é perceber que esta pessoa pode estar o tempo todo ao seu lado. Pode ser o moço do café. Ou o cara sentado à mesa de bar. Pode ser o vendedor de livros. Ou o malabarista do circo... Sabe aquele domingo à tarde, de preguiça anunciada e sol escaldante? Pois é, provavelmente seu grande amor seja exatamente o dono daquela mensagem banal, comum, que chegou para você. Mas você estava tão ocupado tentando materializar a pessoa ideal que não teve tempo de reparar...
Ótima semana!

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Hoje fui chamada a escrever. Mas não tenho certeza. Não tenho certeza se hoje minha não escrita é um ato de covardia ou de coragem. Não sei se o que não quero é expressar minhas certezas ou se, ao contrário, é demonstrar minhas dúvidas.

Talvez só não queira dividir com você a decepção de não encontrar mais as pessoas inteiras que acreditava habitar as pessoas de alguns amigos.
Talvez só ache que você não merece se desiludir assim, por aqui. Você mesmo terá de viver isso para saber do que estou falando. E viverá tão a seu modo, que talvez jamais entenda. Por isso mesmo é que me calei. Falar para quê?

O silêncio das palavras toca um agudo em mim. Eu quero dizer, mas não estou mesmo certa disso. Então vou dizendo assim, em conta-gotas.
Talvez seja só covardia. Mas, às vezes penso que é coragem. Coragem de assumir um silêncio meu. De dizer: veja, eu não tenho certeza. Por isso nem vou dizer nada. Afinal, todas as vezes que pensei ter certeza, alguém me apontou outro caminho. Alguém me surpreendeu. E não reclamo disso não, viu. Adoro ser surpreendida. É disso que tenho vivido.

Volto mais tarde...

quarta-feira, 12 de novembro de 2008



Soa o badalo. É a vida. É ela avisando que quer pulsar.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Rever amigos

Hoje revi um amigo de doces olhos negros. Foi bom. É bom rever pessoas que superam distâncias e diferenças e se mantêm, firmes, aqui, do lado de dentro da gente! Ótima semana!

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Noites claras
Manhãs sombrias
Tardes amarelecidas...

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Ao léu

Volto, depois de alguns meses, à prática de compartilhar com você situações cotidianas.
De certa forma, no tempo em que não postei textos no blog foi como se estivesse à toa, sem ter feito nada. Claro que isso não é verdade. Mas quando não registramos, os dias quase passam em branco. Tenho um amigo que marca tudo na agenda. Cada passo. Cada ação no trabalho. Eu brinco com ele, dizendo que ou eu trabalho ou faço relatórios. Mas acho que ele está certo. Errada estou eu, que faço, faço e tudo passa despercebido. Ainda não cheguei a uma conclusão final. Mas me penitencio por isso e por tantas outras ausências. Minha desorganização é perigosa!
Hoje também posto alguns textos antigos, a pedidos de amigos.Espero poder contar com sua visita. A promessa é a de sempre, mas agora para valer: passarei por aqui todos os dias! Até!

Com que roupa ela virá?


Já tinha me esquecido do quanto o processo é desencadeado rápida e completamente. São sensações químicas logo reconhecidas pela mente e transformadas em sentimento incômodo. Uma crise de bobeira nos invade. Cometemos enganos. Ficamos destemperados. Quase nada nos preenche. O pensamento central é nítido: vontade de repetir o processo. Um cheiro profundo. Arrepios cintilantes. E um quase desmaio. Olhos cerrados e já era. Agora é a força do ímã. A doçura do toque. Um gosto quente de amor. Mais um estado de paixão. Mais do mesmo. Depois, ligações durante a madrugada. Horas de fuga para encontros inebriados... Convites fortuitos. Mensagens etílicas. E, finalmente, a dúvida fatal: quando ela virá? Com que roupa ela virá? Em que forma ela virá? A morte...

Sobre ser e estar


Indagam se estamos bem, como se fosse naturalmente fácil responder de prontidão. As vezes até é. Mas em geral precisamos olhar no ‘fundo do centro’ de nossa alma para entender o que está se passando naquele exato momento. As condições que envolvem humor e estado d’alma são extremamente subjetivas e variáveis. Da mesma maneira se comporta a moda. Basta um acessório a mais ou fora do lugar para a beleza se tornar brega. Basta uma ousadia acertada para que o brega seja chique. Não há regras muito definidas. Vale o bom senso. Por isso, ao ser questionada se fulano está bonito e elegante é difícil responder de pronto: está chiquérrimo ou está brega! Antes, é preciso analisar o visual. Entender o contexto... Observar os acessórios e, às vezes, até compreender a razão antropológica de fulano se vestir daquele modo e não de outro. Ainda mais considerando o turbilhão que se tornou o Brasil... É quase impossível categorizar quem foge dos padrões pré-estabelecidos... Hoje, a moda permite quase tudo, desde que a roupa fale de você, converse com você e te receba bem... Ou seja, se combinar com o seu jeito de ser e ver o mundo está tudo certo. Todas as cores estão liberadas, a mistura delas também. Listrado e bolinha pode. Xadrez e listrado também. Baixinhas podem usar longo, sim. Só não vale deixar a roupa aparecer mais do que você e sua personalidade. É proibido ficar calado dentro de uma roupa linda! É preciso usá-la como mais um modo de expressão. E se as roupas forem encaradas assim, com desprendimento, bom-humor e bom-senso, será cada vez mais difícil dizer o que, afinal, é brega. A não ser nos casos de fórceps!

Bálsamo de copaíba


Bastam alguns minutos de desencontro, algumas frases mal colocadas e palavras avessas para que o velho e conhecido abrigo se transforme num constrangedor quarto de aluguel. Frio, distante, previsível.Por que isso ocorre? Talvez seja simplesmente porque alimentamos a tal expectativa. Se, de verdade, não esperássemos nada tudo seria perfeito (ou quase). Mas, como nunca aprendemos a viver, eis que esperamos. A palavra certa. A frase que contagie nosso coração. A mão amiga. O olhar que invade, ruboriza e desconcerta. E o que recebemos? Mostras viciantes de alguém comum. Imagem cruel daquele que jamais nos acordaria no meio da noite para ler Alan Pauls. Alguém que vê beleza onde enxergamos apenas cordiais olhos castanhos.Solução? 1. Comer algodão doce numa tarde chuvosa, sentada num banquinho diante de pétalas rosadas que perfumam o jardim. E esperar que alguém nos chame no portão. 2. Ouvir, observar e ter a certeza de que aquele ser estranho e pouco articulado nos ama e isso deveria nos bastar.3. Entender que somos mesmo únicos e ninguém, ninguém mesmo, vai preencher totalmente nossas lacunas existenciais! Mas é possível viver momentos bárbaros ao lado dos seres comuns (como nós) que se aproximam por despretensiosa afinidade e são capazes de nos proporcionar prazeroso almoço embaixo de uma copaíba. E, às vezes, isso pode ser sinal de amor.

Leve?


Para variar, pensei em escrever algo leve. Algo que pudesse melhorar o seu humor hoje. Uma crônica do cotidiano... O problema é que meu cotidiano não tem sido tão leve assim. E para dizer a verdade já estou acostumada com essa vida hard! Mas você não tem nada a ver com isso, não é?Então, vamos, sim, falar de algo leve. Que tal as borboletas que têm enfeitado a blusa de muita moçoila por aí? Estampas enormes e psicodélicas invadem o guarda-roupa feminino e a maioria das mulheres cede ao modismo. Que horror! E onde é que fica a individualidade? A grande sacada das roupas não é justamente a possibilidade de falar um pouco sobre nós? Expressar nossas crenças, nossos conceitos, nosso estado de humor? Tudo bem que a borboleta simboliza transformação e, dizem, sorte. Mas precisa sair por aí borboleteando o mesmo modelito?Leveza IITem gente que diz fugir da dureza do cotidiano com um bom desenho animado. Ou uma comédia romântica. Ok. Sou favorável. Mas “pelamordedeus” precisa contar detalhes do filminho para o colega e martelar a velha frase “morri de rir”? Não adianta. Por mais que você queira dividir esse sentimento, ninguém vai “morrer de rir” só porque você resolveu reproduzir a historinha. Faz o seguinte: pega todo o sentimento bom que o desenho ou filme lhe transmitiu e guarda. Isso é seu! O eu profundoExistem milhões de novos autores com excelentes publicações. Das crônicas aos romances de época. E por incrível que pareça ainda tem uns e outros que ao serem indagados sobre o livro de cabeceira respondem em alto e bom tom: Fernando Pessoa! Incrível. Se todos que dizem conhecer o poeta português soubessem ao menos o nome de um de seus heterônimos, algo além da popular frase “Tudo vale a pena se a alma não é pequena”!, acredite, viver seria um pouco melhor. Para quem gosta de fazer essas gracinhas (citar quem não conhece), sugiro, ao menos, a leitura de O eu profundo e os outros eus (tem até no www.dominiopublico.gov.br). SonharConfesso que tenho me apegado aos sonhos. Não aos sonhos que me tomam acordada, em plena luz do dia. Mas aos que nos últimos dias têm me levado através, após longas noites de insônia. Ontem, por exemplo, sonhei com árvores frondosas, de folhagens perfumadas. Elas enfeitavam o quintal de minha casa. Era uma pequena chácara, na verdade. E alguns troncos compunham a decoração interna da casa – que não era amarela, mas branca. Confesso que tive medo de encontrar esse lugar de verdade, durante minhas andanças atrás de uma casa legal (para, de novo, me mudar). Um medo besta - desses que passam por minha cabeça com certa freqüência. Outro medo que me acometeu hoje, após uma sessãozinha saudosista de fotos, foi de sentir o que já senti pela mesma pessoa. Entende? Bom, motivada significativamente pela minha memória bondosa, que só se recorda do lado positivo das pessoas, tive um minuto de cegueira e pensei em quem já não merece meu pensar. Mas passou. Foi um minuto de bobeira. E os medos são mesmo assim, não é? Passageiros. Às vezes motivadores, é verdade. Mas particularmente costumo ter medo apenas daquilo que sei que irá me prejudicar, de um jeito ou de outro.

Dia conjugado


Olho ao meu redor. Paro. Ouço. Praguejo. O entusiasmo chega rápido, com o resultado de meu trabalho. Mas o desânimo também bate quando sou informado de que um túmulo custa em torno de R$18 mil. Penso que esse poderia ser o dinheiro de entrada para um terreninho onde vou construir a casa amarela. E quem não tem dinheiro? Joga-se em algum buraco? Busca-se recursos junto à prefeitura? E a tal dignidade na hora da morte? Entristeço. Uma pontinha de alegria vem de novo, com boas notícias de um velho amigo. Enfim, a vida continua. De novo, sinto que o mundo é injusto quando descubro que uma meninha de apenas 6 anos foi acometida por uma doença que a deixou careca em menos de 20 dias: alopécia areata. Pesquiso.”A alopécia areata afeta aproximadamente 4.6 milhões de pessoas nos Estados Unidos. Ela caracteriza-se pela perda incompleta de cabelo do couro cabeludo que progride na sua totalidade (alopecia total) e eventualmente acomete todo o corpo (alopécia universal). Apesar da elevada incidência desta condição, desconhece-se amplamente sua base genética. No momento acredita-se em uma combinação de fatores genéticos e ambientais que resultem no fenótipo final”.Em Bauru, a família dessa garotinha ainda procura um caminho para iniciar o tratamento. O dermatologista indica um imunologista ou geneticista... E a família se preocupa com o estado emocional da garotinha. Nesta idade (e em tantas outras) o cabelo é sinal de beleza, de graça, de feminilidade... Penso que deve haver solução. Mas me comovo com essa pequena tragédia. Como será o nome dela? Essa menina terá de reagir... Vai desenvolver outros parâmetros de beleza. Vai encarar o preconceito alheio, mas, enfim, será uma pessoa melhor justamente por não viver nas amarras desta estética determinada.Volto a atenção para o meu dia, de novo. A tarde está caindo e a conjugação está longe de terminar.

"Estou tentando captar a quarta dimensão do instante-já. /.../Procuro estar a par dele, divido-me milhares de vezes, em tantas vezes quanto os instantes que decorrem, fragmentária que sou e precários os momentos – só me comprometo com a vida que nasça com o tempo e com ele cresça: só no tempo há espaço para mim." (Clarice Lispector, Água Viva)

Soltas e perfumadas



Para quem se propõe trazer idéias malucas, tenho sido um tanto melancólica, admito. Mas tenho lutado contra isso. E buscado, cada vez mais, as tão desejadas idéias malucas. Mas é que elas são tão velozes e tão desajustadas... que acabam passando direto, sem tempo para a impressão!Hoje, porém, uma delas ficou impregnada em minhas mãos. E agorinha mesmo estava aqui, olhando para o centro da palma e tentando decifrá-la. Se eu não me equivoquei na leitura, era cheiro de chá de frutas. Imediatamente me lembrei das palavras doces ou das doces palavras impressas – forma com que uma gentil leitora se referiu a nós – e pensei: e se os cheiros se convertessem em palavras assim que fossem capturados por nosso olfato? E elas (as palavras) saíssem pulando de nossa narina, perfumadas e saborosas? Imagine, por exemplo, o cheiro de pão fresquinho? Da minha narina, sairiam flutuando com graça os vocábulos saudade, vó, Maria, infância, sobradinho, balão, Priscila, Ricardo e André... Alípio, sol, piano... Cada um com seu cheiro característico. E num processo muito rápido, o cheiro exalado por cada palavrinha de referência à primeira faria uma multiplicação de outros vocábulos... até encobrir o céu com um verdadeiro léxico!


Quando penso que uma palavra
Pode mudar tudo
Não fico mudo
Mudo
Quando penso que um passo
Descobre o mundo
Não paro passo
Passo
E assim que passo e mudo
Um novo mundo nasce
Na palavra que penso

(Alzira Espíndola e Alice Ruiz)

Mulher faz marido refém de seu TOC



Para muitos, ela é apenas a repórter da rua, no melhor estilo das personagens de “O veneno da madrugada”. Mas dona Ainota tem segredos que, pouco a pouco, são revelados. Sabe-se, por exemplo, que ela e seu marido dividem a sala com baratas e ratazanas. Por conta disso, seu Teobaldo esteve doente e foi mantido escondido em casa. Dizem que ela não permite que ninguém entre lá. Nem mesmo o médico. Podem descobrir seu tesouro. “Foram anos para acumular tanta riqueza. Não posso deixar que levem tudo agora”. A Vigilância Sanitária já esteve em sua casa algumas vezes. “Mas só entram aqui com mandato do juiz”. Uma filha separada e um neto adolescente vivem no mesmo ambiente de risco. E são submetidos às regras da casa: não receber ninguém e sair o menos possível para não comentar sobre os hábitos de Ainota. Dizem que em razão da miséria vivenciada na infância, Ainota desenvolveu um Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC) por acumular objetos. Em seu caso, lixo. Latas, garrafas, papelão e embalagens plásticas. Ela alega que a prática é seu meio de vida. Mas a verdade é que ela vende muito pouco do tanto que acumula. Não consegue se livrar dos objetos. Para se sentir melhor, precisa manter a casa abarrotada de lixo. O problema é que o material reciclável e reaproveitável mantido dentro de sua casa já tomou conta de toda a estrutura. Tampou até a fachada. O cheiro já incomoda a vizinhança.Uma denúncia de um familiar relata que por conta de tanta tralha, o casal não ocupa mais o banheiro. O banho é tomado no fundo do quintal, de canequinha.Agora, a equipe de Saúde Mental do município entrará em ação. O caso ocorre num conhecido bairro da cidade do sanduíche. A mulher tem pouco mais de 60 anos e uma memória de causar inveja.

Elas lavam a alma



Implacável, o tempo modifica até nossas lágrimas. As minhas, por exemplo, já caíram por um simples e artesanal par de tamancos, quando tinha ainda uns sete anos. Rolaram também por amores adolescentes. E, bem antes, por leite, papinha e colo. Naquela época, elas eram bem mais doces e escorriam leves, arteiras. Com o tempo, se tornaram mais raras e definitivas. Já não rolam muitas vezes pela mesma causa. Quando desabam é para valer. E se fazem valer.Com elas, vão-se os argumentos, as desculpas vis, os perdões vacilantes. Agora, com exceção de um ou outro drama da sétima arte ou de algumas tragédias sociais, as lágrimas só vêm para lavar a alma e recuperar o sorriso, deixando todo o resto no lugar merecido: o passado!Ótimo dia! E obrigada pela visita.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Do quarto (escuro)

Já se passaram dez dias desde que postei mais um tímido textinho. É. A coisa tá feia. As histórias continuam nas ruas. Pulsantes. Eu é que ando "enquartada". Não que tenha perdido o interesse. Não é isso. Por exemplo, ouvi dias atrás a história de Judith - uma idosa enfartada e revoltada com a maneira como os "velhos" são tratados pela sociedade. Ela até me convidou para comer umas tortilhas em sua casa (ela tem cidadania espanhola e paixão pela cultura de seu povo), mas me senti tão impotente diante de seus problemas... Não criei coragem de encarar essa conversa. Nem quero encarar a velhice. É tudo tão assustador...
/.../
E o horário político? É praticamente um show de horrores. Eu me dou o direito de calar. Afinal, estou longe da redação diária...
/.../
O INSS até que tem tornado seu atendimento mais humanizado. Há uns três meses, com cartas de dois especialistas taxativos ao descreverem sua incapacidade para o trabalho, meu pai tenta obter um auxílio-doença. Depois de um indeferimento, ele aguarda nova perícia, confortavelmente sentado em poltronas almofadas e com senha marcada. Está melhor, reconheço!
/.../
E o seu Joaquim (um velhinho que mal consegue pronunciar uma palavra), que fazia um fala cidadão por dia na redação onde trabalhei, pasme, é candidato a vereador! Xi, falei de eleição!
/.../
Por fim, a vida segue adiante, ainda que a gente tente se trancar no quarto escuro.
Ótima semana!

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Mensagem jamais enviada

Ela escreveu um email num momento de desespero. Durante mais uma tentativa inútil de abandonar seus sentimentos por aquele canalha declarado, de risinho cínico e olhar envolvente. Eu disse para ela pular fora. Avisei para sair daquela relação antes de se apaixonar de verdade... Mas ela é teimosa. Nunca me ouve... Eis, a tentativa infeliz, que felizmente nunca saiu de sua caixa de rascunhos... E, cá entre nós, mulher gosta de se enganar. Só pode ser isso!

“Bom, pelo pouco que você pôde me conhecer, deve saber que não costumo abandonar nada enquanto não tenho a certeza de que não vale mesmo a pena... É por isso que escrevo hoje, numa tentativa de virar a página de vez.
Bom, em resumo, sei que você está namorando. E, ao que tudo indica, mais uma vez vive uma história repentina de amor profundo, com demonstrações públicas de carinho, que aliás me surpreendem... Mas eu confesso que duvido um pouco de tudo isso. Duvido dessa alegria anunciada. E tenho sentido muito a tua falta. Por isso, sem saber bem se devo, decidi dar a última cartada, dizendo exatamente o que ocorre: eu ainda amo você!
Não adoro, como costumava dizer... Amo mesmo, considerando todos os defeitos e deslizes. Imagino que a essa altura essa declaração não faça muita diferença. Mas na dúvida, decidi falar pela última vez, antes de abandonar essa história de vez. Por enquanto, não fiz força. Talvez até tenha alimentado esse sentimento, mas agora quero mesmo esquecer tudo. Antes, porém, precisava dizer de novo que sinto tua falta. Dizer que sempre que viajo gostaria de dividir as cenas e os olhares com você. Dizer que o teu cheiro ainda está em mim. E foda-se! Falei!”

É ou não é uma ação desesperada? Ô, garota, pára com isso. Sai dessa. A fila anda, pô! Obs.: A história é verídica e vivenciada por uma grande amiga que aceitou publicar o texto para levantarmos uma questão muito comentada em mesas de bar. Afinal, por que a gente entra em tantas furadas? Será que, apesar de espontânea e desprendida, posturas como esta não motivam canalhas de plantão a continuarem por aí a destruir corações? O mesmo ocorre com as SMS fora de hora, recadinhos via e-mail, ligações no meio da noite... Conheço muitas mulheres que já cometeram esses "pecadinhos" de amor. Eu mesma já fiz algo parecido. Mas, em geral, todas se arrependem muiiiito depois do "desabafo". Fica a sugestão para comentários!

segunda-feira, 30 de junho de 2008

As velhas e boas cartas



O que já foi meio oficial de comunicação entre os povos por anos e anos, continua fazendo parte de minha vida como uma mania. Mas confesso que o hábito considerado ultrapassado é praticado apenas com uma amiga de infância. Com ela, sinto-me à vontade para trocar idéias com frases inteiras, pontuadas, cheias de saudosismo e mimos com a nossa língua portuguesa.
/.../Olá, caríssima!Espero encontrá-la bem. E, de antemão, peço desculpas por não ter ligado bem no dia em que você completou anos. Confesso que tive medo de encontrar outra e não aquela em quem confiei segredos e desabafos existenciais. Temi que minha amiga tivesse ficado no velho ano, com preguiça de passar para 28 de julho de 2008 e todos os outros dias que vão lhe encobrir. Temi que uma voz fria me atendesse e me fizesse cobranças pelas ausências anteriores.
Então, eis que “faço uso” da palavra escrita para lhe felicitar! E agora abro um parêntese: “Faço uso” está aqui entre aspas porque não gosto dessa expressão e uso-a ironicamente, embora digam que ela é a mais correta para o caso de “transferir a palavra” a alguém em um evento, por exemplo.
– Agora, chamamos fulano de tal para fazer uso da palavra!Que coisa horrível, não? Eu diria, quem sabe:
– Agora, chamo fulano de tal para proferir suas palavras a este público! Ou,
simplesmente: - “Passo” a palavra a fulano de tal. Argumentam que a palavra não pode ser “passada” porque é algo abstrato. E então pode ser usada? Como uma blusa, por exemplo? A discussão é das boas. Ainda não sei o que o prof. Pasquale pensa do assunto, nem consultei meu amigo Luiz Antonio Sacconi... E já me alonguei demais nisso./.../Hoje é moda fazer cafés filosóficos aqui em Bauru... E nós já o fazíamos há tempos, não é? Quanta saudade... Saudade das conversas e dos momentos em que silenciávamos por saber que não havia solução para o caso... Nós aceitávamos isso, não é? Não que fôssemos passivas, mas aceitávamos com certa resignação. E isso faz falta hoje em dia.Bom, amiga, termino essa carta com um pedido especial: “não me deixe num canto qualquer”. Ainda gosta de Chico?

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Eu me importo

Desculpe dizer assim na lata, mas eu me importo com tudo aquilo que me diz respeito e também com o que lhe diz respeito. Importar-se consigo e com os outros talvez seja o mais importante no momento. E, claro, demonstrar que se importa. Por que, afinal, os manuais de sobrevivência nos “manda” fazer de conta que nada aconteceu? Por que devemos esperar, ao menos, três dias para ligar de volta à pessoa amada? Por que devemos fazer cara de paisagem quando, na real, queremos um papo franco, olho no olho? Por que devemos fazer cara de esperto quando o chefe cita uma teoria desconhecida? Desculpe, mas, para mim, isso é não se importar. Porque se você cuida apenas de manter as aparências, não está, de fato, preocupado em praticar mudanças, trazer melhorias, proporcionar reflexões. Passar batido seja lá pelo o quê, é, sim, não se importar. É não dar a mínima para os envolvidos na situação. A pessoa que deixa de entrar numa discussão para não “aumentar o problema” não se importa em obter um resultado satisfatório. São pessoas que levam a vida “com a barriga”, “no bico”, “na maciota”. Os que mudam o trajeto, então, só para não encarar uma crise são covardes. E, definitivamente, não estão nem aí para os outros. E os que mudam de namorada como quem troca de camisa só para não reconhecer que o grande defeito está em si? O que dizer deles? Não, não compreendo isso. E reafirmo: eu me importo. Fico sensibilizada quando erro com alguém e também quando alguém erra comigo. Sim, porque fico me perguntando qual a razão daquela experiência? Que tipo de caminho um tombo quer me apontar? Que tipo de mensagem está por trás de um NÃO bem grande? Desculpe... Mas é preciso se importar... Especialmente neste “momento” (tão duradouro) de afagos fortuitos, de temores existenciais... De medo da solidão, da violência, da competitividade, do insucesso...
É preciso se importar e demonstrar isso. E, apesar da frase “não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam”, continuarei me importando. Você se importa?

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Bela bela

“(...)bela bela mais que bela
mas como era o nome dela?
Não era Helena nem Vera
nem Nara nem Gabriela
nem Tereza nem Maria..”

E como não ser bela
Se nela, pulsa a vida?
Nela, tão bela,
Tão dela...

(O pior é saber que, para mim, ela ainda é uma boneca. Minha Bruneca!)

Doce, decidida, com sede de aventuras... Como quem não quer nada, de rabo de olho, ela buscava alguma transformação... Alguma novidade... E quer maior novidade do que esta? De agora em diante, a cada dia seu corpo vai pulsar... E assustadoramente ela vai descobrir a transformação...

Não vou dizer que não vai doer. Vai sim. Além do parto, serão noites inteiras à disposição de um serzinho que não dará sossego. Esta, aliás, é uma palavra que deixará o seu vocabulário por muito tempo. Ele vai “morder” seu mamilo, vai assaltar suas noites de sono, invadir a sua vida inteira... E ela ficará boba por ele...

E ao fitá-lo, adormecido, ela talvez descubra que essa era a transformação que realmente buscava... Se isso ocorrer, certamente ela descobrirá que é uma das mulheres abençoadas nascidas para ser mãe!

sábado, 7 de junho de 2008

Sobre dedos, máscaras e discursos

A maioria das pessoas com quem convivo não compreende a relação que mantenho com meus textos. Elas acham que sou meio culpada por não escrever fatos do dia-a-dia. Alguns colegas pensam que tenho um texto romantizado, pouco objetivo para a objetividade com que lidam com a vida – e a morte, é bom lembrar.

Coitados. Nenhum deles sabe, a fundo, a sina que vivencio. Não entendem que sinto as palavras, que me alimento delas, que sofro e me deleito com cada piscada do ponto e vírgula... Mal sabem que elas balbuciam e me convencem quando bem entendem.

Desavisados, pontuam minha postura como se fosse um simples perfil profissional e ainda zombam da criticidade aparentemente afastada. Não percebem que sou uma escrava da palavra solta. Defensora involuntária das expressões espontâneas.

Duvidam desses dedos andantes e completamente conchavados com os verbos, os adjetivos sequinhos e os substantivados. E mais: comprometidos com o dizer dos esquivados, o rancor dos mal-amados e o delírio dos apaixonados. Pilantrinhas, eles ganham ânimo com o simples toque dos teclados e se felicitam por me tomar inteiramente. É assim que também tomam para si a verdade que está em mim – e em você.

Para dizer a verdade, eu mesma ainda tento entender. O fato é que a escrita que flui de mim é muito íntima comigo. Por isso, costumo travar quando tento esconder algo de mim ou quando estou com algo engasgado ou mal-resolvido.

Vem sendo assim nos últimos meses... Quando busco falar de amenidades num momento em que fervilho angústias. Quando vejo meu país tratar mal os velhos produzidos por um sistema que alonga a sobrevivência (e não necessariamente a vida). Quando me estupefata o preço da morte! Quando vejo crianças em número cada vez maior nas esquinas da cidade que adotei como lar, mendigando o tal alimento que no papel lhes é concedido como direito.

Quando vejo - estarrecida – profissionais credenciados para proteger direitos como este fazerem vistas grossas para a exploração infantil e se divertirem em noite de plantão, dando “carteiradas” em portarias de bares com a desculpa de verificar se o ambiente está respeitando o ECA. Eca!

Mas não passa de hipocrisia, dizer coisas politicamente corretas, fazer alertas, criticar autoridades e mesmo reconhecer o quanto somos – todos – covardes por vivermos nossa vidinha, trocarmos de carro, comprarmos nosso pedaço de terra e, de vez em quando, darmos uma esmolinha ou “fazermos nossa parte” cuidando de uma horta escolar ou adotando uma praça...Se não fizermos a diferença.

Talvez seja por isso que travo. Travo quando digo "tudo bem, não tem problema" para quem gostaria de dizer: "peraí, você não tem coração, não tem ética?".
Travo quando cumprimento educamente pessoas que gostaria apenas de atropelar. Engasgo quando bem na hora "h" tropeço na palavra certa e dou uma desculpa qualquer. Travo quando fico no salto, embora a vontade maior seja exatamente "dar um barraco". Travo com a miséria humana. Travo com o hipocrisia. Travo com o discurso falso... Com a embalagem anunciada e a falta de conteúdo.

Os dedos enrijecem. Silenciam. O teclado parece virótico. Os olhares alheios se fecham ocupados. Não passam mais a vista em palavras desesperançosas. Querem o riso. Preferem os dentes falsos às lágrimas desmascaradas. O alarde à reflexão. E, por isso, os amigos, aqueles críticos diários, repetem os velhos modelos. Reproduzem discursos e levantam hipóteses. É disso que vivem!

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Correção

Em tempo - e graças à observação de um generoso leitor - ratifico que Socorro é uma composição de Arnaldo Antunes e Alice Ruiz... E confesso: fiquei curiosíssima para ouvir esta música na voz da Gal... Tô aguardando o arquivo, viu Balico!

Também aproveito a deixa para dizer que estou sumida sim, mas gestando algumas idéias que em breve vou compartilhar com vocês. Obrigada pelas visitas!

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Perguntas bobas

Até onde irá a capacidade de perdão de um homem?
Será mesmo que o amor é amoral?
E a esperança? De onde ela vem? Quando ela morre?
De onde vem o comodismo?
Por que, às vezes, o riso só distrai a tristeza?
Quem são as pessoas desconhecidas que nos parecem tão familiares?
Por que um olhar doce supera tantas canalhices?
Como é que podemos amar a mesma pessoa por tantas vezes - e em momentos tão diferentes?
Por que todo mundo quer, em algum momento, discutir a relação?
Como um samba é capaz de transformar o nosso dia?
Quando sonhamos com alguém, esse alguém também sonha com a gente? (rs)

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Solteiro também é gente




Aumenta a cada dia o número de serviços especializados para solteiros. Isso é fato. Mas também é fato que uma mulher solteira que decide se sentar num bar e pedir uma cerveja recebe na mesma hora olhares tortos ou cheios de segunda intenção. Nada de mal até aí, se ela estiver interessada em descolar um gato. O problema é que, muitas vezes, ela só está a fim da cerveja mesmo.
Outra situação constrangedora é chegar num hotel turístico com uma amiga. Sim, elas poderiam ser gays – e daí? O problema é quando são apenas amigas durangas a fim de economizar uma graninha, dividindo o quarto duplo. Vamos combinar que ninguém é obrigado a tolerar olhares preconceituosos sem, ao menos, pagar para ver!
Já viu solteiro chegando num bar sozinho? Logo perguntam:
- Mesa para quantos?
- Ué (olho para os dois lados), você está vendo mais alguém comigo?
Mais uma vez há uma tolerância maior com homens. Mas com mulher é batata!E shopping no fim de semana? Entupido de casais. É uma profusão irritante de mãos dadas para cá, mãos dadas para lá. Sorvetinhos a dois... urgh!
E a agonia dos solteiros não pára por aí. Festa de fim de ano na casa daquele primo precoce. Ele se casou aos 18, tem três filhos e planeja ser avô ainda moço. E convida toda a família para a ceia de Natal. O primo solteiro chega e ouve uníssono: - E a namorada? Não quis trazê-la?
Bom, eles perguntam sobre a namorada porque da última vez o solteiro, cansado dos questionários de sempre, lascou a mentirinha inocente da namorada que está viajando ou mora em outra cidade. Pior que isso é só a falação daquela tia que não se conforma:
- Mas você é tão linda, simpática, inteligente, só falta um marido, não é?!
Nessas horas, manifestar ódio ou indignação é besteira. O melhor dos argumentos é tripudiar sobre os casados:
- Eu hein, não vê como estou esbelta? Olha a fulaninha (e aponta para aquela prima de 30 com cara de 45, cheia de filhos) como está! Eu não! Optei por investir na minha profissão! (e encerra o assunto em alto e bom tom)
Mas, na verdade, não é fácil driblar essas mazelas que acometem os solteiros no dia-a-dia. E por mais acostumados que estejamos, sempre sobra uma raiva, um mau-humor, por conta do comportamento dos adestrados para o casamento.
Para discutir essas questões, eu e outros jornalistas estamos com um projeto, ainda engavetado, que promete ao menos muita diversão... Aliás, os jornalistas estão na lista dos profissionais solteiros. Com eles estão os analistas em informática, médicos e executivos. “Com tanto trabalho, não sobra muito tempo para investir na vida pessoal. Acabo de sair do oitavo casamento”. É o que afirma um alto executivo, que prefere não se identificar. Ele está entre os solteiros que tentam se casar, mas os casamentos não duram muito em razão do perfil individualista que coloca a profissão e as manias à frente do relacionamento.


Em breve: Ovos mexidos! Aguarde novidades.
Eu volto!

terça-feira, 13 de maio de 2008

Vontade



O tema tem sido recorrente para mim. Mas constatei algo novo: eu preciso “estar amando” para me sentir feliz. Não é apenas uma questão de amar o amor, como já falei ao comentar sobre “O amor Líquido”, mas de precisar senti-lo. Tenho cantado freqüentemente aquela canção de Cássia Eller: “Socorro, não estou sentindo nada... Nem medo, nem calor, nem fogo. Não vai dar mais pra chorar, nem pra rir...”. Isso é péssimo. Só me inspiro para a vida quando estou naquela situação constrangedora de ruborizar a face ao ouvir a voz da pessoa amada... Nessas ocasiões trabalho melhor, sinto que me organizo com mais facilidade e tenho muito mais fé na vida. Duro mesmo é estar como estou hoje. De coração mole, mas solitário. Em fases como esta faço algo horrível e só racionalizado agora: invento amores. E faço de tudo para acreditar neles. Para sentir o tal amor... Então, sou capaz de enviar mensagens apaixonadas, de me declarar para pessoas vis... Mas, ó, não é nada com elas. É comigo. É só um jeito de apaziguar meu coração, de enganar minha saudade... Saudade de amar de verdade.
Sim. Pode dizer. Isso é ridículo. Mas, fazer o quê? Foi o jeito que encontrei para continuar inspirada, mesmo sem ter um objeto inspirador a mexer comigo...

quarta-feira, 7 de maio de 2008

AMORES




Descrição 1
Sinto que hoje começo a escrever as primeiras – e verdadeiras – linhas de minha história. Ele é jovem. Tem 25 anos. Estatura mediana. Pele clara. Lábios rosados e mornos. Cheira muito bem. Uma mistura de ervas e frutas. Seu abdômen é rígido e a pele macia. Sua respiração é suave e ao mesmo tempo excitante, assim como suas mãos. O nome é de anjo. E, a partir de hoje, através de seus pequenos olhos, vejo outro mundo que estava em mim pronto para fluir.
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Descrição 2
Seus olhos chamaram minha atenção de cara. Negros e vivos, penetraram em mim com determinação, mistério e encanto. Sua voz me invadiu e logo me despertou para um eu profundo e irrefutável. Jamais fui a mesma. De seus lábios saíram palavras-flechas. Em seu corpo musculoso e moreno meus olhos se deleitavam... Foi assim por anos. Quando ele dobrava a esquina, rumo ao colégio, meu coração virava um tamborim.

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Descrição 3
Com ele não foi amor à primeira vista. Muito pelo contrário. Eu tinha verdadeira implicância com aquele metido a conquistador. Cheio de charme, circulava pelo bairro com um macacão Levi’s. Era atraente, mas arrogante. Namorador e repleto de atitudes familiares... Resisti. Resisti às evidências de seu caráter irretocável. Resisti ao ar viril. Às mãos definidas, fortes, cheias de desejo. Foi assim até o primeiro beijo. Até sentir sua respiração. Depois, tudo se perdeu.